Em discurso durante evento em Sorocaba, no interior de São Paulo, Lula contou que considerou preconceituosa uma fotografia que mostrava um “senhor negro, alto, sorrindo sem nenhum dente na boca”.
Eis o que disse Lula: “Eu tinha um ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário, que foi participar de um congresso de propriedade rural de pequenos na Alemanha e ele fez uma revista maravilhosa, bonita. E no meio da revista, tinha uma capa com uma senhora bonitona. Devia ser filha de italiana ou de alemão no Rio Grande do Sul ou Santa Catarina, com a bochecha bem vermelha, sorrindo (…) e do lado dela um senhor negro, alto, sorrindo sem nenhum dente aqui na boca. Eu chamei o ministro e perguntei: ‘Escuta aqui. Por que você colocou essa fotografia desse senhor negro sem dente? Você acha isso bonito? Isso é fotografia para você colocar representando o Brasil no exterior? Um cara sem dente e ainda negro. Você não acha que isso é preconceito?’. Aí eu lembrei do Joãozinho Trinta [carnavalesco maranhense, falecido em 2011]: ‘Quem gosta de miséria é intelectual, pobre gosta de coisa boa’. Eu falei para ele [o ministro]: ‘Você pode anular essa revista, joga essa página fora e faz uma foto de um cara com dente’. E aí eu resolvi criar o Brasil Sorridente”.
O presidente, então, explicou que quis criar o programa Brasil Sorridente, em 2004, para levar ambulâncias às periferias das grandes cidades, como Sorocaba, e aos locais mais longínquos onde as pessoas não têm acesso a um dentista.
VISITA A SOROCABA
Lula foi ao interior de São Paulo para entregar 400 unidades odontológicas móveis a 400 cidades. Segundo o governo, o custo é de R$ 153 milhões do Novo PAC Saúde. A expectativa é que 1,4 milhão de pessoas sejam beneficiadas.
O Nordeste é a região que mais vai receber veículos, com 207, depois vem o Norte (95) Sudeste (45), Centro-Oeste (32) e Sul (21). Até 2026, outras 400 unidades devem ser entregues.
O Planalto afirmou que as cidades contempladas foram escolhidas com base em critérios socioeconômicos, tamanho territorial e proporcionalidade. A ideia seria evitar a concentração de recursos e maximizar o atendimento.
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