Também ficou em aberto a escolha do vice-presidente, que deve ser nomeado durante a reunião. O plano de trabalho será entregue pelo relator Alfredo Gaspar (União Brasil-AL) na 5ª feira (28.ago).
Até a manhã em que a comissão foi instalada, na 4ª feira (20.ago), o governo estava despreocupado. Havia dado como encerrado o assunto das fraudes no instituto. Omar Aziz (PSD-AM), indicado pelo presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidiria o colegiado. Aliado ao governo, a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acreditava ter nas mãos o controle da CPMI.
Numa reviravolta, a oposição conseguiu emplacar o senador Carlos Viana (Podemos-MG) para a presidência no lugar do mineiro. O então relator Ricardo Ayres (Republicanos-TO) também perdeu o posto para Alfredo Gaspar –aliado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Agora, o governo terá de lidar com um novo problema no Congresso. A oposição ditará o ritmo do colegiado. É escolha do presidente os requerimentos que serão colocados para votação.
Há pedidos para convocar ministros de Lula, ex-presidentes do INSS e até o irmão do petista, Frei Chico, que é vice-presidente de uma das entidades investigadas pela PF (Polícia Federal) por descontos indevidos nos benefícios. Assim como pedidos de quebra de sigilos –bancários, fiscais e telefônicos.
Com a relatoria, a oposição também terá controle sobre quem será indiciado ou não ao fim da comissão.
Pode estar na composição do colegiado o fôlego ao governo. A comissão é formada por 16 senadores e 16 deputados. Dentre os titulares, a maioria pertence a blocos historicamente governistas: Democracia, Vanguarda e Aliança. Leia aqui os integrantes.
OPERAÇÃO SEM DESCONTO
Em 23 de abril, a PF (Polícia Federal) deflagrou a operação Sem Desconto para investigar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.
A investigação identificou a existência de irregularidades relacionadas aos descontos de mensalidades associativas aplicados sem autorização dos beneficiários sobre suas aposentadorias e pensões, concedidos pelo INSS.
O caso levou à demissão do ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT). O pedetista foi aconselhado por deputados a deixar o cargo, sob a condição de que alinhasse o discurso de que as fraudes começaram no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e as apurações ficaram a cargo do governo petista.
