“Na soja, podemos observar a natureza mutuamente benéfica da relação econômica e comercial entre China e EUA. Essa cooperação beneficiou nossos 2 países e o mundo inteiro. Precisamos de mais, não de menos”, afirmou durante evento em Washington.
O diplomata chinês mencionou que metade da soja americana exportada historicamente ia para a China, mas que, no 1º semestre de 2025, as exportações caíram 51% em relação ao ano anterior –efeito do aumento das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump (republicano).
“O crescente protecionismo lançou uma sombra sobre nossa cooperação agrícola. Os agricultores não devem pagar o custo da guerra comercial”, disse Xie Feng.
ENTENDA
Os EUA e a China vivem uma trégua na disputa comercial, com redução temporária de tarifas por 90 dias. Ainda assim, Pequim não adquiriu soja americana para o 4º trimestre de 2025, enquanto o Brasil mantém sua posição dominante no mercado.
Em 2024, o país sul-americano exportou 74,6 milhões de toneladas para a China, equivalente a 71% do total, contra 22% dos EUA.
A possível expansão das compras chinesas de soja americana preocupa o Brasil, que se beneficiou da guerra comercial entre as duas potências para ampliar sua participação no mercado asiático.
Segundo especialistas, qualquer aumento nas importações dos EUA poderá reduzir a fatia brasileira, atualmente majoritária.
Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, afirma que a iniciativa americana pode ser preocupante para o Brasil.
Apesar da liderança brasileira, Gilio aponta que o mercado ainda é limitado em diversidade e alcance, o que abre espaço para negociações internacionais envolvendo EUA e China.
Segundo dados da Aprosoja, em 2024 a China comprou 73% da soja exportada pelo Brasil. A entidade afirma acompanhar os desdobramentos e ressalta a competitividade da oleaginosa brasileira.
“A soja brasileira é a que tem o maior teor de óleo e proteína diante dos produtos de outros países e é a soja de melhor custo-benefício para a produção de carnes, ovos, leites, derivados e biocombustíveis como o biodiesel”, disse.
Assista à íntegra da entrevista (37min13s):
