Com a decisão, os ministros Celso Sabino (Turismo) e André Fufuca (Esporte) também devem deixar seus cargos nos ministérios. Os 2 ministros e outros filiados têm apenas um dia para apresentar seus pedidos de demissão, conforme a nova exigência partidária.
“Todos os filiados do União Brasil […] requeiram a sua imediata exoneração dos cargos públicos de livre nomeação e exoneração e/ou funções de confiança eventualmente ocupados no âmbito da Administração Pública Federal Direta (ministérios) ou Indireta (autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de economia mista)”, afirma.
Conforme a resolução assinada pelo presidente Antonio de Rueda, a decisão foi tomada “considerando a necessidade de preservar a independência partidária e a coerência política do União Brasil”. O documento afirma que a medida visa a “garantir o alinhamento das ações dos filiados com as diretrizes partidárias”.
A resolução entra em vigor na mesma data de sua publicação e determina que os filiados que não cumprirem a determinação estarão sujeitos a sanções disciplinares depois de processo interno partidário.
Qualquer integrante do União Brasil poderá relatar casos de descumprimento para aplicação das providências cabíveis.
SAÍDA DO GOVERNO LULA
A Federação União Progressista, que reúne o União Brasil e o PP, determinou que todos os seus filiados deixem cargos no governo no início de setembro, mas não havia exatidão de até quando poderiam se dar as renúncias.
O Poder360 apurou que a federação, oficializada em 19 de agosto, decidiu pela saída da base do Planalto. A federação representa uma força significativa no Congresso Nacional, com 109 deputados e 14 senadores, além de controlar quatro ministérios no governo federal.
Na época, o Poder360 apurou que existe desconforto entre os ministros Sabino e Fufuca. Eles consideram haver tratamento desigual quanto aos cargos ocupados pelos partidos no primeiro escalão do governo. Na visão dos ministros, se as siglas pretendem deixar o Executivo, deveriam também abrir mão de outras posições estratégicas.
Outro ponto sensível envolvia as indicações da “cota pessoal” do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), como o ministro do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes. Na avaliação do governo, não há motivo para obrigar o ministro a sair do cargo com a saída dos partidos da base de apoio.
Sabino e Fufuca demonstraram resistência em serem os únicos a deixar seus cargos. Embora administrem orçamentos entre os menores da Esplanada, a visibilidade proporcionada pelos ministérios é considerada importante para suas carreiras políticas no Pará e no Maranhão, respectivamente. Politicamente, o custo de abandonar esses cargos é menor que em estatais, por exemplo.
Celso Sabino tem participado ativamente das negociações relacionadas às obras de infraestrutura para a COP30, evento que acontecerá em Belém em novembro. Conforme apuração do Poder360, mesmo fora do governo, Sabino participaria do evento como congressista paraense, mas preferiria fazê-lo na condição de ministro.
Esta reportagem foi escrita pela estagiária de jornalismo Isabella Luciano sob a supervisão da editora-assistente Isadora Albernaz.
