Licenciado da corporação e atuante como secretário de Administração de Praia Grande desde 2023, Fontes construiu sua reputação investigando o combate ao crime organizado, especialmente o PCC. Em 2006, Fontes indiciou toda a cúpula do PCC, incluindo Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, o líder da facção, antes da transferência do grupo para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau.
Um relatório de 2024 obtido pelo “Fantástico”, intitulado “Bate Bola”, detalhava planos de atentados contra autoridades. Segundo o promotor de Justiça do MP-SP (Ministério Público de São Paulo) Lincoln Gakiya, as ordens saíam de dentro dos presídios.
“O que eu quero deixar bem claro que não saíram bilhetes ou cartas da Penitenciária Federal. O que saíram de lá foram ordens verbais codificadas através de advogados, através de familiares, não só de presos da cúpula, mas de outros presos que conviviam com a cúpula na mesma unidade prisional”, afirmou o promotor.
De acordo com o “Fantástico”, o item 16 deste relatório falava de perseguição a Gakiya e a Fontes. “Ele me disse: ‘Doutor Lincoln, o senhor está mais tranquilo porque está muito bem protegido pela sua escolta. Eu, como aposentado, não tenho esse direito’”, relatou o promotor ao programa.
Até o momento, 4 pessoas foram presas suspeitas de envolvimento no assassinato:
- Dahesly Oliveira Pires – confessou ter transportado um fuzil que teria sido usado para assassinar o ex-delegado;
- Luiz Henrique Santos Batista, conhecido como Fofão – suspeito de ajudar na fuga;
- Rafael Dias Simões – se entregou à polícia e é apontado como participante direto;
- Willian Marques – dono da casa usada como base, também se entregou.
Outros 3 suspeitos estão foragidos: Flávio Henrique Ferreira de Souza, Felipe Avelino da Silva, conhecido no PCC como Masquerano, e Luiz Antônio Rodrigues Miranda, que teria ordenado a busca pela arma.
Na 5ª feira (18.set), o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, afirmou a jornalistas que não há dúvidas sobre a participação do PCC no assassinato de Fontes.
Derrite explicou que a motivação ainda está sob investigação. Uma das linhas apura se o assassinato tem relação com a longa carreira de Fontes no combate ao crime organizado ou ao seu cargo atual no governo municipal.
“A dúvida, e não descartamos possibilidades, é se a execução foi motivada pela sua luta contra o crime organizado ao longo da carreira ou por causa do seu cargo atual como secretário em Praia Grande”, disse.
Antes de morrer, o ex-delegado declarou em entrevista a um podcast da rádio CBN e do jornal O Globo, que vivia sem segurança, sem “estrutura nenhuma” e “no meio” de integrantes do PCC. “Eu tenho proteção de quem? Eu moro sozinho aqui, eu vivo sozinho na Praia Grande, que é o meio deles. Hoje, eu não tenho estrutura nenhuma”, afirmou.
