“No Peru, superamos uma forte, organizada e persistente violência política que pretendia a volta do governo golpista“, afirmou Boluarte. A presidente classificou a tentativa como parte de um totalitarismo que “se renova e se apresenta com outros rostos” e segue “sendo uma grave ameaça aos países e ao mundo”.
Boluarte defendeu a política econômica de sua gestão e apresentou dados que apontam para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) peruano em 2025, com tendência de expansão para os anos seguintes. “Derrotamos a inflação gerada pela corrupção“, acrescentou.
A presidente relembrou o contexto de criação da ONU, em razão do holocausto, e afirmou que as “ideologias de ódio” são as causadoras “dos piores crimes da história humana“. Em referência à guerra civil vivida pelo país entre 1980 e 2000, entre grupos guerrilheiros e o governo peruano, Boluarte defendeu a intensificação da ação da ONU contra “terrorismo” e “crime organizado“.
“A ONU foi fundamental no século 20, mas no século 21 o mundo precisa estar mais atento“, afirmou a peruana. Sem citar nomes, Boluarte disse que “é inaceitável que um país invada a outro, utilizando um relato falso para justificar uma guerra que atinge principalmente a população“. A presidente criticou ainda o uso de “jovens, mulheres e até crianças” como reféns.
Boluarte pediu o reconhecimento pela ONU como organização terrorista grupos do crime organizado, e defendeu a criação de uma nova legislação nacional e internacional que detenha a ameaça desses grupos à democracia e ao desenvolvimento da população.
A presidente saiu em defesa da renovação do órgão intergovernamental mais aberto e democrático, o fortalecimento do multilateralismo em um contexto que recorda “os piores momentos da história moderna”, e criticou o que chamou de “bloqueios institucionais na tomada de decisões” na ONU.
Amargando uma desaprovação superior a 90%, Boluarte utilizou o púlpito para rebater críticos de sua gestão ao afirmar presidir o “governo mais estável” do país nos últimos 5 anos.
Esta reportagem foi produzida pelo estagiário de jornalismo João Lucas Casanova sob supervisão da editora-assistente Aline Marcolino.
