Durante seu discurso transmitido por vídeo, depois do governo dos EUA negar seu visto para entrar no país, Abbas reiterou acusações contra Israel por “crimes contra a humanidade” em Gaza, denunciando o cerco imposto ao território, o ataque a locais religiosos como mesquitas e igrejas e a expansão de assentamentos considerados ilegais na Cisjordânia.
“Falo com vocês hoje depois de quase 2 anos em que nosso povo palestino na Faixa de Gaza enfrenta uma guerra de genocídio, destruição, fome e deslocamento”, afirmou Abbas.
Esse genocídio, segundo ele, foi “travado pelas forças de ocupação israelenses, nas quais mataram e feriram mais de 220 mil palestinos, a maioria dos quais são crianças desarmadas, mulheres e idosos”.
“O que Israel está realizando não é meramente uma agressão. É um crime de guerra e um crime contra a humanidade que está documentado e monitorado, e ficará registrado nos livros de história como um dos episódios mais horríveis da humanidade do século 21”, disse ele.
Abbas também criticou o Hamas e responsabilizou o grupo pelos ataques de 7 de outubro de 2023. Disse que os militantes “não representam o povo palestino”. Além disso, defendeu que o Hamas entregue suas armas à Autoridade Palestina e seja excluído do governo futuro do território.
O líder palestino também propôs reformas institucionais internas: realização de eleições presidenciais e legislativas em até 1 ano depois do fim do conflito, elaboração de uma constituição provisória e unificação das forças de segurança sob um sistema único.
Abbas agradeceu a todos os países que reconheceram o Estado da Palestina durante a Assembleia —agora são 157 Estados-integrantes da ONU que o reconhecem. Mas apelou a toda a comunidade internacional que os ajude a deter a guerra, a remover as barreiras à ajuda humanitária, acelerar a reconstrução de Gaza e da Cisjordânia e o reconhecimento da Palestina como Estado integrante da ONU.
Abbas encerrou sua fala com uma mensagem aos palestinos: “O amanhecer da liberdade surgirá, e a bandeira da Palestina tremulará alto em nossos céus como um símbolo de dignidade, firmeza e liberdade do jugo da ocupação. A Palestina é nossa. Jerusalém é a joia do nosso coração e nossa capital eterna. Não deixaremos nossa pátria”.
