Na 2ª feira (29.set), o presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), apresentou um plano com 20 pontos para encerrar o conflito, segundo ele, já aceito por Israel. O documento exige o desarmamento completo do Hamas e veta sua participação no futuro governo de Gaza.
A liderança política do grupo, baseada no Catar, mostra-se mais aberta a negociar o acordo com algumas alterações. No entanto, seu poder de decisão é reduzido, pois não tem controle direto sobre os reféns em Gaza. Dos 48 sequestrados que ainda permanecem em cativeiro, estima-se que só 20 estejam vivos.
Um dos principais entraves para a aceitação do plano por integrantes do Hamas é a exigência de libertar todos os reféns nas primeiras 72 horas do cessar-fogo. Isso eliminaria sua principal ferramenta de negociação no conflito.
Apesar das promessas de Trump sobre o cumprimento israelense dos termos, existe forte desconfiança dentro do grupo. Esse sentimento intensificou-se depois de Israel tentar eliminar lideranças do Hamas em Doha através de um bombardeio no mês passado, contrariando orientações dos EUA.
O plano prevê ainda a implementação de uma Força Internacional de Estabilização temporária em Gaza, formada por militares norte-americanos e de países árabes. O Hamas interpreta essa medida como uma nova forma de ocupação do território.
A proposta também inclui um mapa detalhando a retirada gradual das tropas israelenses, com uma zona de segurança nas fronteiras com Egito e Israel. A administração dessa área não está claramente definida no documento.
Depois de concordar inicialmente com o plano na 2ª feira (29.set), o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), recuou em alguns pontos. Em vídeo publicado em seu perfil do X (ex-Twitter), afirmou que o exército israelense poderia permanecer em partes de Gaza e que Israel “resistiria à força” a um estado palestino.
Essas declarações contradizem os termos do acordo proposto pelos EUA, que determina a saída completa das forças israelenses, “exceto por uma presença de perímetro de segurança que permanecerá até que Gaza esteja devidamente segura de qualquer ameaça terrorista ressurgente”. O plano norte-americano também estabelece um “caminho credível para a autodeterminação e a soberania palestina” depois da sua implementação completa. O Hamas já declarou anteriormente que não abandonará suas armas até a criação de um Estado Palestino soberano.
O atual conflito iniciou-se quando Israel lançou operações militares em Gaza em resposta ao ataque do Hamas no sul israelense em 7 de outubro de 2023. Na ocasião, cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Segundo o ministério da saúde administrado pelo Hamas em Gaza, pelo menos 66.225 pessoas morreram em ataques israelenses no território desde o início do conflito. Israel mantém sua ofensiva em Gaza mesmo depois da apresentação do plano de paz pelo presidente Trump.
