
Os dados fazem parte de uma edição especial sobre turismo da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, divulgada nesta 5ª feira (2.out.2025) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O analista da pesquisa, William Kratochwill, atribui esse crescimento das viagens de avião às dimensões do país.
“Para muitos destinos, com certeza, o avião reduz esse deslocamento demorado que se dá pela linha de ônibus ou carro. Fora a segurança, já que o risco acaba sendo menor”, avalia.
Quando se referem às viagens profissionais, o avião ocupa a 2ª preferência em 3 dos 4 anos (2020, 2021, 2023 e 2024) em que a pesquisa tem dados comparáveis. A exceção é 2021, quando 11,3% das viagens foram aéreas; e 12,1%, com ônibus.
“Justificado pelo período pandêmico [covid-19], quando as pessoas evitavam os transportes coletivos, principalmente o avião”, diz Kratochwill.
Influência da renda
Considerando todos os tipos de viagens, o IBGE aponta características diretamente ligadas à renda familiar per capita (por pessoa) das famílias. Em todas as faixas de renda, o carro é o principal meio de transporte nas viagens.
Para as famílias com renda menor que 2 salários mínimos, o 2º meio de preferência é o ônibus de linha. Nos lares que recebem menos de meio salário mínimo, 1/4 (25,2%) dos deslocamentos foi de ônibus. Nos que ganham 4 ou mais mínimos, apenas 5,1%.
Na outra ponta, entre as famílias que ganham 2 ou mais salários mínimos, o 2º posto é ocupado pelo avião. Domicílios com renda per capita de 4 ou mais mínimos realizaram 36,2% das viagens com companhias aéreas.
“A viagem de avião é um bem de luxo quando compara a sua demanda”, avalia Kratochwill.
O que o brasileiro fez na viagem
Para elaborar a pesquisa, o IBGE buscou informações de pessoas que realizaram viagens 3 meses antes da data da visita domiciliar do pesquisador. O instituto identificou que, em 2024, os brasileiros realizaram 20,6 milhões de viagens, sendo 17,6 milhões pessoais e 3 milhões profissionais.
Em relação às viagens profissionais, a maior parte (82,7%) foi para negócio ou trabalho, enquanto 11,8% foram para eventos ou cursos. O restante foi classificado como compras ou outros motivos.
Já entre as viagens pessoais, os principais motivos foram lazer (39,8%), visita familiar ou a amigos (32,2%), tratamento de saúde (20,1%) e outro (7,9%).
Ao analisar especificamente a motivação da viagem de lazer, o IBGE identificou que a razão mais comum é sol e praia, com 44,6% da preferência. Em seguida aparecem gastronomia (24,4%), natureza, ecoturismo ou aventura (21,7%) e outro (9,3%).
Onde o viajante se hospeda
De cada 10 viajantes, 4 (40,7%) se hospedam em casa de amigos ou parentes. A 2ª opção mais comum foi classificada pelo IBGE como “outro”, que inclui opções como albergue, hostel ou camping.
Em 18,8% das viagens, a acomodação escolhida foi hotel, resort ou flat. Ao cruzar as informações com faixa de renda, os pesquisadores notaram que todos os estratos abaixo de 4 salários mínimos de renda familiar per capita tiveram como principal hospedagem a casa de amigos ou parentes.
Já famílias com renda superior a 4 mínimos tiveram como primeira opção (37%) hotel, resort ou flat.
“Naturalmente, [o tipo de hospedagem] muda conforme o nível de rendimento”, diz Kratochwill.
Ao observar viagens profissionais especificamente, os hotéis, resorts e flats assumem a preferência, com 42,9% das hospedagens.
