INSTABILIDADE ACONTECE A QUALQUER MOMENTO E COMPROMETE PRAZOS E AUDIÊNCIAS
MANAUS (AMAZONAS) – O funcionamento irregular do PROJUDI (Processo Judicial Digital) tem se tornado um dos principais desafios para os advogados do Estado do Amazonas, que relatam constantes dificuldades de acesso, lentidão e falhas técnicas no sistema. A plataforma, adotada recentemente pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), substituiu gradualmente os processos físicos, mas ainda apresenta instabilidade e limitações operacionais que afetam o andamento das ações.
Segundo relatos da advocacia amazonense, o sistema trava durante o envio de petições, recusa anexos com tamanho superior ao permitido e, em diversos momentos, fica fora do ar sem aviso prévio, comprometendo prazos e audiências.
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM) já recebeu várias manifestações da categoria e diz que vem cobrando do Tribunal de Justiça do estado as melhorias na estrutura e no suporte técnico do PROJUDI.
O problema é agravado pelo fato de o sistema ser descentralizado e de manutenção local, o que significa que atualizações e correções dependem do próprio TJAM. Enquanto estados com sistemas mais modernos, como o PJe, operam de forma estável e integrada, no Amazonas a advocacia enfrenta um ambiente de trabalho marcado pela insegurança digital e pela imprevisibilidade técnica.
A expectativa é que, até o fim de 2026, o tribunal finalize a migração completa e as atualizações prometidas, garantindo maior estabilidade e desempenho.
Até lá, a advocacia amazonense continua cobrando condições mínimas para o pleno exercício profissional em um sistema que deveria facilitar — e não dificultar — o acesso à Justiça.
Origem do Projudi
O PROJUDI foi criado originalmente pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), no início dos anos 2000.
Posteriormente, o CNJ adotou e distribuiu o sistema gratuitamente para outros tribunais estaduais e federais interessados. Seu código-fonte é público (pertence ao CNJ), mas cada Tribunal de Justiça pode instalar, adaptar e gerenciar sua própria versão local. Ou seja, o PROJUDI não é um sistema centralizado nacionalmente — ele é um software comum, mas com instâncias autônomas em cada estado.
