“Acabei de ser libertada de uma prisão de tortura israelense no deserto. E, honestamente, eu nem sei direito o que dizer, porque não importa o que a gente diga, nada vai surtir efeito. Nada vai levar nossos governos a agir”, declarou Greta. “Mesmo que, pelo direito internacional, eles tenham a obrigação legal de agir para prevenir e interromper um genocídio”, afirmou.
Thunberg foi detida depois de participar da Flotilha Global Sumud, iniciativa que tentava levar ajuda humanitária a Gaza. A operação reunia ativistas, políticos e advogados em mais de 40 embarcações com o objetivo de romper o bloqueio marítimo imposto por Israel ao território palestino. A sueca estava entre os 171 ativistas deportados na 2ª feira (6.out).
“O que aconteceu não foi só que Israel nos sequestrou e torturou, mas, acima de tudo, que durante um genocídio em curso e em escalada —no qual Israel tenta abertamente apagar toda a Faixa de Gaza e o povo palestino—, Israel mais uma vez violou o direito internacional e impediu que ajuda humanitária, remédios, comida e água chegassem a uma população faminta”, disse Greta. “Mas isso já foi dito milhares de vezes e, como eu disse, não surte efeito”.
Greta não deu detalhes sobre o período de detenção e preferiu não mencionar situações específicas. Em carta enviada ainda durante a prisão, relatou desidratação, alimentação insuficiente e alojamento em cela com percevejos. O Ministério das Relações Exteriores da Suécia confirmou a pessoas próximas à ativista que as condições eram precárias. Também há relatos de que ela pode ter sido forçada a participar de sessões fotográficas com bandeiras israelenses.
Segundo a agência Reuters, o governo israelense não respondeu a um pedido de comentário sobre o tema. Nos últimos dias, afirmou que não houve restrição de acesso a água, comida ou higiene.
Em 7 de outubro de 2023, o grupo Hamas atacou o sul de Israel, deixando quase 1.200 mortos. Em resposta, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (Likud, direita) declarou guerra ao grupo.
Depois do anúncio, Israel iniciou uma ofensiva na Faixa de Gaza que já deixou mais de 67 mil mortos e 169 mil feridos, segundo autoridades do território controlado pelo Hamas, que não podem ser verificados de maneira independente.
O Hamas declarou estar disposto a negociar os termos propostos pelo governo norte-americano para encerrar o conflito. O grupo afirmou estar preparado para libertar os 48 reféns —só 20 estariam vivos— como parte dos esforços pela criação de um Estado palestino e pela retirada das tropas israelenses do enclave.
Uma comissão de inquérito independente do Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou em 16 de setembro relatório em que classifica a ação israelense como “genocídio”. O governo Netanyahu nega a acusação.
