O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), ordena desde agosto operações no mar do Caribe. Há 8 navios de guerra e 1 submarino nuclear dos EUA na região. Até agora, foram pelo menos 5 ataques a barcos venezuelanos sob justificativa de combate ao narcotráfico.
Em carta ao Conselho de Segurança, datada de 4ª feira (15.out), o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, acusou os EUA de matarem pelo menos 27 pessoas nos ataques a “embarcações civis que transitam em águas internacionais”.
Segundo a Reuters, Moncada solicitou ao conselho que “investigasse” os ataques para “determinar sua natureza ilegal” e emitisse uma declaração “reafirmando o princípio do respeito irrestrito à soberania, independência política e integridade territorial dos Estados”, incluindo a Venezuela.
O Conselho de Segurança, no entanto, não poderá tomar nenhuma medida além de realizar reuniões sobre a situação, pois os Estados Unidos detêm poder de veto.
O conselho se reuniu pela 1ª vez na semana passada, a pedido da Venezuela, Rússia e China, para discutir as tensões. Naquela reunião, os Estados Unidos justificaram suas ações como consistentes com o Artigo 51 da Carta fundadora da ONU, que diz que o Conselho de Segurança deve ser imediatamente informado sobre quaisquer ações tomadas pelos Estados em legítima defesa contra ataques armados.
Em Caracas, o presidente venezuelano Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) afirmou que, embora a CIA (Agência Central de Inteligência) esteja há muito tempo ligada a golpes de Estado em todo o mundo, nenhum governo anterior havia declarado publicamente que ordenara à CIA que “matasse, derrubasse e destruísse países”.
Maduro disse que a CIA foi autorizada a conduzir operações contra a paz na Venezuela. “Mas o nosso povo está lúcido, unido e consciente. Eles têm os meios para derrotar mais uma vez essa conspiração aberta contra a paz e a estabilidade da Venezuela”, disse o presidente durante um evento transmitido pela televisão estatal venezuelana.
De acordo com a Reuters, o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse na 5ª feira (16.out) que Trump usaria a CIA, o Departamento de Defesa e a diplomacia “para defender a soberania dos EUA contra ações que estão matando ativamente norte-americanos”.
Em entrevista à Fox News, Waltz declarou que “a Venezuela pode trazer o que quiser” para a ONU. “Vocês sabem que o que também faz parte da ONU é o Artigo 51 da Carta da ONU, que permite que um país se defenda. E é isso que o presidente Trump está fazendo e fará”, disse.
