O levantamento comparou dados sobre hábitos de consumo da população nos 2 períodos. A “taxa da blusinha” –como ficou conhecida a cobrança de 20% sobre importações de até US$ 50– passou a vigorar em agosto de 2024.
Para Marcio Guerra, superintendente de Economia da CNI, o impacto da taxação é positivo para a indústria brasileira, que estava sujeita a condições desiguais de competição.
“A implementação do Imposto de Importação é o início de um processo que busca trazer mais justiça e competitividade para a indústria nacional”, disse.
A “taxa da blusinha” estimulou a busca por alternativas nacionais. O percentual de consumidores que procuraram produto similar com entrega nacional subiu de 22% para 32%.
Já a procura por item parecido em loja física teve crescimento menor, de 13% para 14%. A busca por similar em outro site internacional cresceu de 6% para 11%. A desistência definitiva caiu de 58% para 42%.
ICMS e frete
O custo com ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) também se tornou uma barreira maior. A desistência por esse motivo cresceu de 32% para 36%.
O preço do frete internacional levou 45% dos compradores a abandonar pedidos, crescimento de 5 pontos percentuais em relação a maio de 2024. O prazo de entrega demorado fez 32% desistirem, ante 34% no ano anterior.
“Isso pode sinalizar um avanço na racionalidade do consumidor brasileiro na hora da compra”, afirmou Guerra.
PERFIL
A pesquisa revelou que 75% das importações foram para uso pessoal. O percentual sobe para 90% entre cidadãos com mais de 60 anos e 84% entre moradores do Norte/Centro-Oeste.
Apenas 10% compraram todos os itens para uso no trabalho, percentual maior entre moradores do Sul (19%) e pessoas que ganham mais de 5 salários mínimos (15%). Somente 2% importaram produtos pensando em revenda.
A Nexus entrevistou 2.008 pessoas com idade a partir de 16 anos, no Distrito Federal e nos 26 Estados, de 10 a 15 de outubro de 2025. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
Perfil dos que mais desistiram:
- 51% – têm ensino superior;
- 46% – têm de 16 a 40 anos;
- 45% – ganham mais de 5 salários mínimos.
