NÚMEROS AVANÇAM A PARTIR DA CRIAÇÃO DA SEPA E REVITALIZAÇÃO DO CTPC DE BALBINA
MANAUS (AMAZONAS) – O peixe está entre os alimentos mais consumidos pela população do Amazonas e tem papel importante tanto na alimentação diária quanto na economia regional. Diante dessa relevância, a produção aquícola do estado tem avançado nos últimos anos e apresentado resultados de destaque no cenário nacional. Hoje o Amazonas é o maior produtor nacional de Matrinxã (cerca de 55 por cento do mercado) e o quinto maior produtor de Tambaqui, juntamente com os estados do Rondônia, Pará, Roraima e Mato Grosso.
As informações são do titular da Secretaria de Estado de Pesca e Aquicultura (SEPA), Alessandro Cohen, ao destacar levantamento da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o ano de 2024, divulgado no corrente ano.
“Em âmbito nacional, a aquicultura superou R$ 10 bilhões em valor de mercado no último levantamento disponível. A piscicultura atingiu 724,9 mil toneladas e movimentou R$ 7,7 bilhões, enquanto a carcinicultura somou 146,8 mil toneladas com R$ 3,1 bilhões. Os números reforçam a consolidação do setor como uma das principais fontes de proteína animal do país”, disse o secretário.

No Amazonas, dados da Pesquisa Pecuária Municipal (PPM 2024), do IBGE, apontam recorde na produção de tambaqui e matrinxã. Foram registrados 8,54 milhões de quilos de tambaqui e 2,89 milhões de quilos de matrinxã. Outras espécies também tiveram participação relevante, como a pirapitinga (265 mil quilos) e o pirarucu (207 mil quilos).
“Seguindo os avanços ocorridos no setor de piscicultura desde o início do governo Wilson Lima, a partir de 2019, e o fortalecimento da SEPA a partir de 2023, o estado se consolidou como o maior produtor nacional de matrinxã (55 por cento), destaque absoluto que torna a região Norte predominante”, citou Alessandro Cohen.
A produção se concentra na Região Metropolitana de Manaus, puxada pela demanda da capital. Manacapuru liderou a produção estadual, com 1,9 milhão de quilos, seguida por Rio Preto da Eva, com 1,5 milhão. Iranduba, Manaus e Presidente Figueiredo aparecem também entre os principais produtores.

Perguntado sobre a colocação do Amazonas no mapa de produção do Tambaqui, Alessandro Cohen explicou que o estado alcançou a quinta colocação por motivos que proporcionam grandes vantagens aos demais concorrentes.
“O Amazonas produziu 8,54 milhões de quilos de Tambaqui. Estão à frente o estado do Rondônia, que ocupa a liderança com 52,9 milhões de quilos, seguido por Roraima (12,9 milhões), Maranhão (11,7 milhões) e Pará (9,9 milhões). A competitividade amazonense junto aos demais concorrentes é prejudicada por vários fatores, como logística limitada, dependência do transporte fluvial e custos elevados de insumos, que influenciam o desempenho da produção e tornam o escoamento para mercados fora da região mais oneroso”
Estados vizinhos contam com polos produtivos estruturados mais próximos ao Centro-Sul, onde está a maior parte do consumo nacional, permitindo maior fluxo de comercialização e presença mais ampla da indústria de processamento. Nessas regiões, o pescado chega aos mercados já beneficiado, com maior valor agregado.
Mesmo com desafios logísticos, a piscicultura permanece como uma das principais atividades do setor primário no Amazonas, garantindo geração de renda em municípios do interior, além de assegurar o abastecimento do mercado local. O desempenho recente indica potencial de expansão da produção regional, sobretudo com investimentos em infraestrutura, como a criação da SEPA, revitalização do Centro de Tecnologia, Produção e Conservação de Recursos Pesqueiros (CTPC) Balbina, centro de produção de alevinos no município de Presidente Figueiredo, realização de cursos de processamento e estratégias de comercialização.
“Assim, a cadeia de peixes nativos segue como diferencial competitivo do estado, com expectativa de que o aumento da demanda nacional impulsione novos resultados nos próximos anos”, concluiu Cohen.
Sobre Piscicultura
O cultivo de peixes, ou piscicultura, é a criação de peixes em cativeiro para fins comerciais ou de subsistência. Essa atividade envolve etapas como alevinagem (produção de filhotes), recria e engorda, podendo ser realizada em diversos sistemas como tanques-rede, viveiros e tanques escavados ou de alvenaria. A qualidade da água, as espécies escolhidas, a infraestrutura do local e o cumprimento da legislação ambiental são fatores cruciais para o sucesso do empreendimento.
Sobre Carcinicultura
Carcinicultura é a criação de camarões em cativeiro, seja em água doce ou salgada, e é uma atividade importante da aquicultura. Essa prática envolve desde a fase inicial de pós-larvas, a aclimatação, a engorda e a colheita, e é realizada em viveiros que podem ser manejados de forma extensiva, semi-intensiva ou intensiva, dependendo do investimento e tecnologia.
