A morte foi confirmada pela Associação Mulher pela Paz, organização fundada e presidida por Clara. Nos dias que antecederam sua morte, a ativista estava hospitalizada e entubada.
Clara manteve relacionamento com Marighella por quase 20 anos, de 1950 até 1969, quando ele foi assassinado durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). O guerrilheiro morreu aos 57 anos em 4 de novembro de 1969, na Alameda Casa Branca, bairro dos Jardins, em São Paulo.
Filha de imigrantes judeus russos que fugiram da perseguição antissemita no Leste Europeu, Clara cresceu no Recife, onde iniciou seu contato com militantes comunistas.
Aos 21 anos, ela se filiou ao PCB (Partido Comunista Brasileiro). Durante o regime militar, participou da ANL (Aliança Nacional Libertadora), fundada por Marighella, e teve seus direitos políticos cassados em 1964.
Sua trajetória foi dedicada à militância política, à defesa da democracia, dos direitos humanos e da emancipação feminina no Brasil. Clara desenvolveu sua atuação principalmente em São Paulo, onde residia.
Em comunicado sobre o falecimento, a Associação Mulheres pela Paz afirmou: “Associação Mulheres pela Paz Clara Charf foi grande. Foi do tamanho dos seus 100 anos”. A entidade também afirmou: “Difícil dizer que ela apagou. Porque uma vida com tamanha luminosidade fica gravada em todas e todos que tiveram o enorme privilégio de aprender com ela. Vá em paz, querida guerreira”.
