“Como é amplamente sabido, desde a tentativa fracassada de golpe liderada pelo ex-presidente Castillo, o governo mexicano vem interferindo de forma inadmissível e sistemática nos assuntos internos do Peru, em clara violação do princípio da não intervenção reconhecido pelo direito internacional”, declarou o ministério em comunicado.
“Em um ato hostil que se soma à série de interferências inaceitáveis do governo mexicano em relação ao Peru, a Embaixada do México em Lima anunciou hoje que seu governo concedeu asilo diplomático à Sra. Betssy Chávez Chino. Essa ação demonstra o profundo desinteresse do governo mexicano em manter relações com o Peru. Portanto, o governo da República do Peru decidiu romper relações diplomáticas com os Estados Unidos Mexicanos”, lê-se na nota.

O Ministério das Relações Exteriores do México declarou na 2ª feira (3.nov), em comunicado, que “lamenta e rejeita” o rompimento.
“A senhora Chávez Chino afirmou que tem sido submetida a repetidas violações de seus direitos humanos como parte de uma perseguição política pelo Estado peruano desde sua captura em 2023”, disse o ministério. “O México rejeita a decisão unilateral do Peru por considerá-la excessiva e desproporcional a um ato legítimo do México, em conformidade com o direito internacional e que em nada constitui intervenção nos assuntos internos do Peru”, declarou.
“O México vai se manter fiel à sua tradição humanista de defesa dos direitos humanos e de proteção às pessoas perseguidas por motivos políticos. Além disso, sempre priorizará o diálogo e a resolução amigável de conflitos”, afirmou o governo mexicano.
Chávez enfrentou acusações criminais por um possível papel na tentativa de Castillo de dissolver o Congresso no final de 2022. Castillo foi deposto e permanece preso. Chávez estava detida desde junho de 2023, mas foi libertada por um juiz em setembro, enquanto seu julgamento estava em andamento.
A advogada, que atuou como ministra do Trabalho, ministra da Cultura e primeira-ministra durante a presidência de Castillo, realizou repetidas greves de fome, acusando a prisão de maus-tratos, de extorsão e de dopá-la. Chávez negou saber do plano de Castillo de dissolver o Congresso. Os promotores pediram uma sentença de 25 anos de prisão.
O atual presidente do Peru, José Jerí (Somos Peru, centro-direita), usou a rede social X para anunciar que a embaixadora mexicana no Peru, Karla Ornela, recebeu um prazo final para deixar o país.

Em setembro, a Comissão de Relações Exteriores do Congresso peruano propôs declarar a presidente do México, Claudia Sheinbaum (Morena, esquerda), persona non grata por se recusar a reconhecer a tentativa de golpe de Castillo e por defender sua libertação da prisão. Segundo o jornal El País, embora a proposta não tenha sido debatida na Câmara, prenunciou um novo ponto de tensão que eclodiu na 2ª feira (3.nov).
