“Os incêndios que consomem nossas florestas não respeitam fronteiras. Nem o plástico que polui nossos oceanos e elimina a vida marinha”, afirmou. “Somente um multilateralismo revigorado pode equacionar esses dilemas de ação coletiva”, acrescentou o petista.
A declaração foi feita na abertura da 1ª mesa temática da Cúpula dos Líderes da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), em Belém (PA). O tema da sessão era ‘Clima e Natureza: Florestas e Oceanos’.
O presidente voltou a dizer que a conferência será a “a COP da verdade” e pediu que os países transformem “ambição em ação”. Disse que o planeta vive um ponto crítico, com a perda acelerada de áreas de floresta tropical. “Em 2024, perdemos uma área equivalente ao Panamá. Nenhum país poderá enfrentar a crise climática sozinho”, afirmou.
Lula também alertou para o aumento da temperatura média dos oceanos e para o risco de savanização da Amazônia, o que traria consequências “nefastas” ao clima e à agricultura.
O petista disse que o Brasil ratificará o tratado internacional de proteção da biodiversidade marinha em áreas fora da jurisdição dos países. Ele citou ainda o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), apresentado como um mecanismo financeiro para remunerar nações que preservam seus biomas.
Segundo ele, o modelo se apoia em sistemas de contabilização de carbono transparentes e auditáveis, alinhados ao Acordo de Paris, para impulsionar a descarbonização e estimular a restauração florestal
“Somente uma arquitetura financeira robusta e equitativa pode garantir que a conservação dos nossos maiores ecossistemas tenha recursos”, declarou.
Lula encerrou o discurso ao afirmar que as florestas só serão parte da solução climática se também oferecerem condições de vida dignas às populações que nelas vivem. “Nenhuma floresta tropical contribuirá para enfrentar a mudança do clima se não for capaz de gerar soluções para quem nela habita”, disse.
CÚPULA DE LÍDERES
A Cúpula de Líderes (formalmente chamada de Cúpula do Clima de Belém) é uma inovação trazida ao universo das COPs. Será realizada nos dias 6 e 7 de novembro como encontro preparatório de alto nível. Leia nesta reportagem a lista de autoridades confirmadas na Cúpula.
Lula disse que o objetivo é enfrentar as divergências e que as palavras dos líderes serão a bússola da jornada a ser percorrida pelas delegações nas próximas 2 semanas.
A presidência brasileira concentra os debates da Cúpula em dois eixos: compromissos climáticos e financiamento. O TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre) e a eficácia do Acordo de Paris compõem o eixo central das discussões.
A programação terá sessões temáticas ao longo de 2 dias. Na tarde desta 5ª feira, ocorre o painel sobre florestas, oceanos e povos indígenas.
Na 6ª feira (7.nov), pela manhã, será discutida a transição energética. À tarde, o debate focará nas NDCs (contribuições nacionais), financiamento e implementação do Acordo de Paris.
