O site permitia a criação rápida de links para o download de arquivos a uma velocidade estável e sem grandes limitações de uso. No auge da ferramenta, porém, uma operação policial envolvendo autoridades de dois países fez o projeto ser derrubado da noite para o dia.
Mas você sabe exatamente o que aconteceu com essa página e onde estão atualmente os arquivos que eram disponibilizados nessa plataforma tão popular? A seguir, o TecMundo explica como essa história se desenrolou.
Um fenômeno da internet
O Megaupload é o projeto mais importante de Kim Schmitz, que mais tarde ficou conhecido como Kim Dotcom. O empresário alemão sempre foi uma figura bastante controversa por acumular condenações de pequenos crimes virtuais e leva uma vida de ostentação nas redes sociais.
Em 2003, ele funda uma empresa de armazenamento de dados pela internet chamada Data Protect Limited. Percebendo o potencial de oferece esse serviço para o público geral e não só empresas, em 2005 ele muda o nome da companhia para Megaupload e expande o serviço, agora totalmente voltado para guardar arquivos na nuvem e liberar o download a partir de um link.
A facilidade no uso da ferramenta atraiu muitos usuários e logo essa se tornou uma das páginas principais para o compartilhamento não apenas de arquivos legalizados, mas também de materiais piratas.
Por volta de 2011, a companhia já respondia ações judiciais nos EUA sob acusação de violação de direitos autorais.

Ainda assim, o site superou rivais como torrent, programas de download de arquivos via P2P e outras formas de obtenção desses arquivos digitais, conquistando números impressionantes:
- Dados revelados após a ação policial contra o site sugerem que o Megaupload gerava quase 4% de todo o tráfego da internet global pela quantidade de downloads realizados no começo da década de 2010;
- Ele chegou a ser o décimo terceiro site mais acessado do planeta, com mais de 150 milhões de usuários cadastrados e um pico de 50 milhões de acessos diários;
- O Brasil era o segundo país que mais acessava a página — que oficialmente ficava hospedada em Hong Kong, para escapar de ainda mais problemas com a lei;
Só em 2010, Dotcom teria obtido uma renda de mais de US$ 42 milhões com o site. E essa lucratividade alta sem repassar direitos aos donos dos materiais compartilhados é o que colocou um grande alvo no serviço.
A queda sem retorno do Megaupload
Mesmo os vários processos judiciais encarados pela empresa não poderiam preparar o Megaupload para o que aconteceria em 19 de janeiro de 2012.
Nesta data, Kim Dotcom e outros executivos do projeto foram presos a mando do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Segundo a acusação, a companhia enganou detentores de diretos autorais e autoridades do setor, deixando de repassar a eles cerca de US$ 500 milhões e obtendo lucro com o compartilhamento irregular de conteúdos.
Kim foi preso na região de Auckland, na Nova Zelândia, e teve até a coleção de carros de luxo apreendida em uma operação de grande porte de autoridades policiais locais. Na mesma data, o FBI determinou o fechamento do Megaupload e de qualquer outro site da mesma companhia. Dois meses depois, o site foi totalmente derrubado por ordem judicial.

As longas batalhas judiciais entre Dotcom e tribunais da Nova Zelândia e dos EUA seguem até hoje. O empresário contestou a truculência da ação policial e tentou evitar ao máximo a extradição, já que poderia encarar penas maiores no local de origem das acusações.
Após várias reviravoltas, em 2024 ele perdeu o último recurso que impediria que ele fosse levado aos EUA — Dotcom estava liberado por fiança há anos, mas sem poder deixar o país.
Porém, nem mesmo esse capítulo teve um desfecho até o momento: ele teria sofrido um derrame no final de 2024 e atualmente está em recuperação em outra cidade neozelandesa, o que pode novamente paralisar o processo.
O Megaupload ainda existe?
Desde que foi fechado por ordem da Justiça dos EUA, ainda em 2012, o site não voltou mais ao ar e segue inativo desde então. A partir da prisão do fundador, os usuários da plataforma não tiveram mais acesso aos links disponibilizados para download e nem aos próprios dados armazenados no serviço.
Até hoje, essas informações não foram devolvidas e é bem possível que boa parte dos arquivos já se degradou e não pode mais ser acessada, já que os servidores podem ter sofrido danos permanentes ao longo de mais de uma década.
Como alternativa, o próprio Dotcom lançou um ano depois o Mega, outro serviço de armazenamento de arquivos e também muito usado para pirataria de filmes, séries, músicas e outros formatos. Ele se distanciou do projeto no mesmo ano, mas a página segue no ar até os dias de hoje — tendo começado do zero, sem herdar os arquivos até hoje perdidos do site original.
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