Segundo o documento, dados do Banco Central mostram que pessoas que recebem dinheiro do programa social transferiram R$ 3,7 bilhões para empresas de bets só em janeiro de 2025. Algumas famílias têm outras fontes de renda e não é possível afirmar se todo esse valor veio do estipêndio mensal dado pelo governo aos mais pobres. Leia a íntegra (PDF – 2 MB).
Do valor transferido para as empresas de apostas por beneficiários do Bolsa Família, 80% ficaram concentrados em só 4,4% do total de famílias apostadoras. Esse número, segundo o TCU, reforça a possibilidade de uso indevido de nomes de assistidos.
Em janeiro, 21,9% das famílias no Bolsa Família tiveram contato com apostas. Isso corresponde a cerca de 4,4 milhões das 20,5 milhões de famílias inscritas no programa naquele mês.
Cerca de 1,2 milhão de famílias beneficiárias apostou em janeiro de 2025 acima de R$ 600. Esse valor é a base dada pelo Bolsa Família (que tem alguns adicionais dependendo da composição familiar).
“Nos estratos mais elevados, identificaram-se 663 famílias que transferiram entre R$ 100 mil e R$ 1,5 milhão − até o caso extremo de família que alcançou a soma de R$ 2,127 milhões em apostas em um único mês”, diz o relatório do tribunal.
O TCU determinou ao Ministério do Desenvolvimento Social que elabore em até 90 dias um plano de ação para identificar e reduzir inclusões indevidas de pessoas no Bolsa Família. A pasta também deverá apurar e tratar os casos de utilização ilícita de CPFs de beneficiários por terceiros para realização de apostas.
Dados de movimentações atípicas foram enviados ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), à Receita Federal e a o Ministério Público Federal para que as providências devidas possam ser tomadas.
O governo vem fazendo uma limpa nos cadastros do Bolsa Família. Só em 2025, até outubro, 1,9 milhão de famílias deixaram a base de pagamentos do programa. Não é possível saber se essa revisão pegou quem estava jogando em bets de forma irregular, omitindo a renda real para receber o dinheiro do governo.

