Sua filha, Júlia Prudente de Moraes Barros, doou em 1925 ao Museu Republicano o gabinete de trabalho do pai, composto de móveis, livros e objetos pessoais. A doação marcou um momento decisivo na história da instituição, ao transformar o espaço doméstico do político em um memorial público dedicado à construção da memória republicana.
Segundo a curadora, “a partir do diálogo entre o Museu Republicano de Itu e o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes, de Piracicaba, a exposição coloca em perspectiva dois acervos que, embora relacionados à mesma personalidade, foram organizados em contextos e com propósitos distintos: um voltado à vida pública e política, outro à dimensão íntima e familiar”.
Dividida em 3 núcleos, a exposição aborda desde a incorporação do acervo pessoal ao museu até os processos de curadoria e representação visual da figura de Prudente de Moraes. O percurso expositivo destaca o papel de Júlia de Moraes Barros como mediadora entre a memória doméstica e a construção da memória pública, bem como a influência de Afonso Taunay, então diretor do Museu Paulista, na consolidação dessa narrativa. Fotografias históricas de Frederico Egner, registradas em 1925, mostram a 1ª montagem do gabinete e ajudam a compreender como o museu, desde seus primórdios, buscou articular a história republicana à imagem de seus protagonistas.
Além de revisitar a trajetória de um personagem central da Primeira República, a mostra convida o público a conhecer os bastidores da formação do próprio Museu Republicano de Itu, um dos marcos da museologia histórica paulista. A partir de diferentes camadas de leitura –políticas, familiares e institucionais–, a exposição evidencia como o patrimônio museológico é também um campo de interpretações e de permanentes reconstruções do passado.
Primeiro civil presidente
Prudente José de Moraes Barros foi o 1º civil a ser presidente da República e o 1º a ser eleito, após 2 mandatos militares. Advogado de profissão, foi também republicano de primeira hora. Eleito parlamentar ainda sob a monarquia, tornou-se um dos líderes do Partido Republicano de São Paulo e, já sob o novo regime, exerceu a presidência do Senado Federal e da Assembleia Constituinte de 1890 a 1891. Depois do seu mandato presidencial, retornou para Piracicaba e voltou a atuar na advocacia, mantendo-se envolvido na política partidária.
Um museu republicano
O Museu Republicano de Itu, uma das sedes expositivas do Museu Paulista da USP, é uma instituição científica, cultural e educacional, especializada no campo da história e da cultura material da sociedade brasileira. Com ênfase no período entre a segunda metade do século 19 e a primeira metade do século 20, tem como núcleo central de estudos o período de configuração do regime republicano no Brasil.
Além do movimento republicano e da primeira fase da República brasileira, trata também da história de Itu e região, com ênfase no século 19, destacando artistas ituanos desse período. Foi inaugurado em 18 de abril de 1923, data exata do cinquentenário da Convenção de Itu, e, desde a sua incorporação à USP, em 1963, tem como objetivo atender às funções de ensino, pesquisa e extensão, pilares de atuação da universidade.
Com informações do Jornal da USP.
