
A Pedreira do Bongue, na região do Jupiá, em Piracicaba (São Paulo) é um sítio geológico em que há constantes interdições na área devido ao risco de deslizamentos de rochas. Diversos incidentes de queda de rochas já ocorreram.
E segundo um pesquisador, o local é também um sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar. Saiba mais abaixo.
Um parque geológico
De acordo com o pesquisador e professor Alessandro Batezelli, do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Pedreira é um sítio paleontológico conhecido no meio acadêmico, abrigando uma vasta coleção de fósseis de peixes e conchas, testemunhos de uma era em que um mar cobria a área. Contudo, ela não é protegida por leis.
“No ponto de vista acadêmico e científico, é um local já é conhecido como um sítio paleontológico. É que a gente, no Brasil, ainda está engatinhando no tombamento desses afloramentos”, disse o pesquisador em entrevista ao site G1.
A Pedreira do Bongue faz parte da unidade geológica Corumbataí e é composta por dois tipos de materiais: argilito (argila vermelha/roxa) e arenito (areia). A distinção dos materiais é visível a olho nu.
O professor explicou ainda que a pedreira é composta por rochas sedimentares geradas há cerca de 260 milhões de anos, podendo variar entre 3 e 5 milhões de anos para mais ou menos, quando a região de Piracicaba era um mar.

“Tinha um mar aqui. Aquela época foi a última vez que o mar entrou no nosso continente. Foi depositando as argilas, que representariam essas regiões mais profundas do mar, e as areias, que seriam situações mais costeiras. Formaram essas camadas e, com o aumento de pressão ao longo do tempo, elas viraram rochas”, disse o professor.
E a pedreira teria condições para ser transformada em um geoparque. Conforme Batezelli, o ideal seria que o local fosse protegido e transformado em um parque geológico, área destinada à preservação e divulgação dos patrimônios naturais e histórico-culturais.

Ele citou como exemplos o Geoparque de Uberaba (em Minas Gerais) e o Parque Geológico do Varvito, em Itu (São Paulo), que exibem formações rochosas de varvito.
“O geoparque cuida da parte da geologia e paleontologia, mas envolve também, por exemplo, toda a parte socioeconômica da região com o turismo”, comentou ele.
Fissuras na pedreira
O local é conhecido pelo histórico de fissuras e queda de rochas. Inclusive, a Avenida Jaime Pereira, também conhecida como Estrada do Bongue, já teve trechos parcialmente interditados por causa de deslizamentos.
Contudo, a Prefeitura do município afirmou em entrevista ao site G1 que tem monitorado a pedreira e que a estabilidade do local não apresentou alterações em relação ao último laudo técnico, realizado em abril de 2024. A administração afirmou ainda que um geólogo será contratado para elaborar novo laudo no início de 2026.
E por que ocorrem fissuras e queda de rochas da pedreira? O professor Batezelli explica: o argilito, ao entrar em contato com a água da chuva, tende a inchar, pois absorve a umidade e se expande. Quando o tempo fica muito seco, porém, ele se contrai. Esse processo de expansão e contração se repete ao longo dos meses, fazendo com que o material se desintegre.
Além disso, o movimento vibratório da passagem de veículos na avenida aos pés da pedreira e a trepidação causada por grandes construções nas proximidades, também influenciam o risco de queda de rochas.
Referências da notícia
Pedreira do Bongue é sítio paleontológico com fósseis de quando Piracicaba era mar, diz pesquisador. 15 de novembro, 2025. Yasmin Moscoski.
Pedreira do Bongue: Piracicaba diz que há estabilidade em fissura e programa novo laudo para 2026. 08 de novembro, 2025. Yasmin Moscoski.
