“Eu estou feliz. Estou tão feliz que, um dia, haverei de convencer o presidente dos EUA de que a questão climática é séria e de que o desenvolvimento verde é necessário”, declarou Lula a jornalistas em Belém.
Trump não compareceu à conferência, tampouco enviou representantes do governo federal norte-americano. Assim que assumiu a Presidência dos EUA, em seu 2º mandato, o republicano voltou a retirar o país do Acordo de Paris, compromisso assinado em 2015 em torno da meta de manter o aquecimento global abaixo de 1,5ºC a 2ºC.
“Em uma COP, não se impõe nada. Tudo tem de ser por consenso. Tudo tem de ser muito conversado. E nós respeitamos a soberania política, ideológica, territorial e cultural de cada país. Não queremos impor nada. Queremos apenas dizer: ‘É possível’. E se é possível, vamos tentar construir juntos”, afirmou o presidente, ao lado de Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, e André Corrêa do Lago, presidente da COP30.
Lula também falou sobre a proposta brasileira de construir um mapa do caminho para que os países abandonem os combustíveis fósseis e façam a transição energética. “É preciso que mostremos para a sociedade que queremos, sem impor nada a ninguém, sem determinar prazo, que cada país seja dono de determinar as coisas que pode fazer dentro de seu tempo, dentro de suas possibilidades. Mas estamos falando sério. É preciso diminuir as emissões de gases de efeito estufa”, afirmou.
BELÉM E “COP DO POVO”
Lula disse que a COP30 foi a “melhor COP de todas”, com todos os desafios de se realizar um evento dessa dimensão para Belém. “Era muito importante para nós colocarmos a Amazônia como ela é na cabeça dos povos do mundo inteiro”, afirmou o presidente.
Ele também declarou que a COP30 foi melhor que as anteriores, porque, em Belém, “o povo foi mais povo”, e mencionou os diversos setores da sociedade que participaram da conferência. “Todo mundo tem um papel na sociedade e essa COP foi um pouco isso. Por isso que ela foi feita em Belém. Aqui o povo participou mais. Esta aqui pode ser chamada a primeira COP do povo do mundo inteiro, porque aqui teve gente do mundo inteiro fazendo suas manifestações”, disse.
Ao fim do pronunciamento, Lula disse que, além de convencer o presidente dos Estados Unidos sobre a agenda climática, sonha em pôr fim ao conflito entre a Rússia e a Ucrânia.
“Eu estou tão feliz que eu sonho um dia até acabar com a guerra da Rússia e da Ucrânia, que já não existe razão dessa guerra continuar. Eu estou tão feliz, que saio daqui para ir para Brasília, certo de que os meus negociadores irão fazer o melhor resultado que uma COP já pôde oferecer ao planeta Terra”, disse o presidente.
Nesta 5ª feira, Lula participa, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, da abertura do Salão do Automóvel, em São Paulo.
ALEMANHA NO TFFF
Durante as declarações a jornalistas, Marina afirmou que a Alemanha fez um aporte de 1 bilhão de euros (cerca de R$ 6,1 bilhões) para o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre). Segundo Marina, o anúncio da Alemanha é resultado “de todo o esforço que vem sendo feito e numa demonstração de que, de fato, esse instrumento de financiamento global é muito bem desenhado, muito bem estruturado e começa a dar respostas”.
O fundo foi uma iniciativa lançada pelo presidente Lula para remunerar países pela preservação de florestas tropicais. O TFFF tem como objetivo reunir um volume de US$ 125 bilhões e, segundo estimativas do governo brasileiro, poderá distribuir US$ 4 bilhões por ano depois do período inicial de implementação, quase 3 vezes o nível atual de financiamento internacional destinado a florestas.
