A doença tornou-se agora a 9ª principal causa de morte globalmente, impulsionada principalmente pelo aumento das taxas de glicose alta, hipertensão e obesidade. As conclusões destacam uma crise de saúde global em rápida expansão, caracterizada por alta mortalidade e baixa conscientização pública, criando um desafio urgente para sistemas de saúde onde apenas uma fração dos pacientes em estágio terminal recebe tratamento adequado e capaz de salvar vidas.
Conduzido por pesquisadores do NYU Langone Health, do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington e da Universidade de Glasgow, o estudo analisou dados de 204 países e territórios ao longo de mais de 3 décadas.
A pesquisa constatou que a taxa de prevalência global da doença renal crônica entre adultos foi de 14,2% em 2023, um aumento de 3,5 pontos percentuais desde 1990. Regionalmente, o Norte da África e o Oriente Médio registraram a maior prevalência, com 18%, seguidos pelo Sul da Ásia e pela África Subsaariana.
A China ocupa o 1º lugar em número absoluto de casos, com 152 milhões de pacientes. O país apresenta uma taxa de prevalência de 12,3% e uma taxa de crescimento de 7,1%, acima da média global.
Em termos de mortalidade, a doença renal crônica resultou em 1,48 milhão de mortes no mundo em 2023. Além das mortes diretas, a função renal prejudicada foi um fator contribuinte em 11,5% de todos os óbitos por doenças cardiovasculares.
O estudo da The Lancet identificou 7 fatores de risco principais, observando que glicemia de jejum elevada, pressão arterial sistólica alta e índice de massa corporal elevado respondem por 31,9%, 24,5% e 23,5% da carga da doença, respectivamente. Outros fatores incluem riscos dietéticos, atividade física insuficiente, temperaturas não ideais e exposição ao chumbo.
Os pesquisadores enfatizaram a gravidade da lacuna de tratamento para aqueles com doença renal em estágio terminal, destacando que apenas 20% desses pacientes no mundo recebem terapia renal substitutiva padronizada, como diálise ou transplantes.
Em maio, a OMS (Organização Mundial da Saúde) aprovou uma resolução que prioriza a saúde renal, reconhecendo formalmente a condição como uma importante doença não transmissível que requer atenção global urgente. Para enfrentar as disparidades de tratamento, o estudo defende a promoção da diálise peritoneal de baixo custo em regiões de baixa renda e a inclusão do tratamento nos sistemas de seguro de saúde.
Para reduzir o aumento da carga da doença, os autores recomendam que países com grande número de casos –como China e Índia– ampliem esforços de triagem básica envolvendo exames de urina para detectar precocemente a condição em grupos de alto risco, como diabéticos.
Esta reportagem foi originalmente publicada em inglês pela Caixin Global em 20 de novembro de 2025. Foi traduzida e republicada pelo Poder360 sob acordo mútuo de compartilhamento de conteúdo.
