
A extensão do gelo marinho na Antártica em 2025 ficou quase 900.000 quilômetros quadrados abaixo da média histórica para o período de 1981 a 2010. Essa diferença equivale a uma área maior que a Espanha e demonstra uma mudança acelerada na dinâmica do Oceano Antártico. Os cientistas indicam que essa tendência continua nos níveis excepcionalmente baixos observados em 2023 e 2024.
O NSIDC explica que o gelo marinho da Antártica, tradicionalmente estável e difícil de interpretar, está passando por um período de extrema variabilidade sem precedentes. A NASA destaca que mapas de satélite mostram grandes áreas oceânicas abertas em regiões que historicamente apresentavam uma cobertura de gelo muito maior durante o inverno austral, conforme relatado pelo site Earth Observatory.

O recuo do gelo afeta processos essenciais para o sistema climático, como a reflexão da radiação solar, a estabilidade das plataformas de gelo continentais e os ecossistemas que dependem do gelo sazonal, desde o krill até várias espécies de pinguins.
O que está causando o derretimento do gelo marinho?
Uma das principais causas identificadas pela comunidade científica é o aquecimento das águas profundas do oceano, que reduz a capacidade de congelamento do mar mesmo durante os meses mais frios. Estudos recentes publicados em revistas como a Nature Communications apontam para uma possível mudança de regime no sistema oceano-gelo.
Breaking News!
Code Yikes!It’s official, 2025 recorded the second lowest sea-ice extent maximum on record, with only 2024 seeing a lower maximum. And 2016 holds third place, with a maximum about 17,000 km² more than 2025.
Will 2026 see a new record low maximum? Stay tuned! pic.twitter.com/ae8IKzoAtI
— Prof. Eliot Jacobson (@EliotJacobson) November 21, 2025
Os padrões de vento também mudaram, afetando a compactação, o transporte e a formação de novo gelo. O NSIDC explica que essas mudanças atmosféricas podem amplificar as anomalias observadas, favorecendo a presença de águas superficiais mais quentes.
Além disso, a perda de gelo cria um ciclo de retroalimentação: menos área de superfície branca significa menos reflexão solar e maior absorção de calor pelo oceano, intensificando ainda mais o aquecimento regional.
Consequências globais de um Sul em transformação
Menos gelo marinho significa um Oceano Austral (ou Antártico) mais quente e menos estável, o que pode perturbar as correntes oceânicas profundas que desempenham um papel na regulação do clima global. Essa potencial alteração da circulação global é motivo de preocupação entre os especialistas.

Embora o derretimento do gelo marinho não eleve diretamente o nível do mar, seu declínio enfraquece a estabilidade das plataformas de gelo continentais, que, ao se desintegrarem, contribuem para a elevação do nível do mar. A comunidade científica está monitorando esses processos com atenção especial.
Os ecossistemas da Antártica também enfrentam impactos imediatos. A redução do gelo afeta o krill, base da cadeia alimentar do Oceano Antártico, o que, por sua vez, afeta aves marinhas, mamíferos e espécies cruciais para a pesca internacional. Organizações como o NSIDC e o Observatório da Terra enfatizam que essa situação é um sinal claro do avanço do aquecimento global.
