Os profissionais assinaram um relatório sobre sua saúde que foi incluído nos autos da Ação Penal 2668. O documento faz parte da manifestação da defesa de Bolsonaro em resposta ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que havia pedido explicações sobre a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Eis a íntegra (PDF – 899 kB).
“Na noite de 6ª feira (21.nov), o ex-presidente relatou que apresentou quadro de confusão mental e alucinações, possivelmente induzidos pelo uso do medicamento Pregabalina, receitado por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento, porém sem o conhecimento ou consentimento dessa equipe”, escreveram.
“Esse medicamento apresenta importante interação com os medicamentos que ele utiliza regularmente para tratamento das crises de soluços (Clorpromazina e a Gabapentina) e tem como reconhecidos efeitos colaterais, a alteração do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos”, afirmam os médicos.
Segundo outro documento inserido nos autos do processo, a médica Marina Grazziotin Pasolini receitou o uso diário de Pregabalina em 17 de novembro. Eis a íntegra (PDF – 312 kB).
De acordo com Birolini e Echenique, o medicamento foi suspenso imediatamente. “Foram realizados os ajustes necessários na medicação, restabelecendo a orientação anterior. Seguiremos acompanhando a evolução clínica do ex-presidente e realizando reavaliações periódicas”.
O QUE DISSE BOLSONARO
Bolsonaro afirmou durante sua fala em audiência de custódia neste domingo que tentou violar sua tornozeleira eletrônica após ter sofrido um surto.
Segundo a ata do procedimento, ele declarou que criou “certa paranoia” de 6ª feira para sábado depois de tomar 2 medicamentos receitados por médicos diferentes. As substâncias, Pregabalina e Sertralina, teriam interagido de forma inadequada. “O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa”, diz o documento do STF. Leia a íntegra da ata (PDF – 162 kB). Apesar das medicações citadas por Bolsonaro, horas depois, sua equipe médica divulgou um relatório em que explica que a combinação que teria causado “confusão mental” seria Pregabalina com a Clorpromazina e a Gabapentina (leia mais abaixo).
O ex-presidente declarou ainda que tem curso de ferro de solda, e que o equipamento já estava em sua casa. Estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e de um assessor na sua casa no momento da intervenção. Segundo ele, ninguém viu a ação da tornozeleira.
Eis o que está descrito na ata:
“Pela Juíza Auxiliar foi dito: Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente respondeu que teve uma “certa paranoia” de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (Pregabalina e Sertralina); que tem o sono “picado” e não dorme direito resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem curso de operação desse tipo de equipamento. Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois “caindo na razão” e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia; O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite. Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação. O depoente afirmou que estava com “alucinação” de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião. O depoente afirmou que passou a tomar um dos remédios cerca de 4 (quatro) dias antes dos fatos que levaram à sua prisão“.
O QUE DIZ A DEFESA
Na manifestação enviada ao STF, a defesa do ex-presidente segue o relatório médico citado acima. Os advogados afirmam que a tentativa de romper a tornozeleira eletrônica foi motivada por um quadro de “confusão mental”, decorrente do uso da Pregabalina em combinação com a Clorpromazina e a Gabapentina, medicamentos para os soluços. Eis a íntegra da manifestação (PDF – 267 kB).
Os advogados argumentam que Bolsonaro “expõe um comportamento ilógico que pode ser explicado pelo possível quadro de confusão mental causado pelos medicamentos ingeridos pelo peticionário, sua idade avançada e o estresse a que está inequivocamente submetido”.
Além disso, afirmam que, como o ferro quente foi utilizado no dispositivo em vez das tiras, “não houve tentativa de rompimento da pulseira e, portanto, de retirada da tornozeleira”.
Para a defesa, não é possível falar em tentativa de fuga, uma vez que Bolsonaro estava sendo vigiado de forma permanente por agentes da PF (Polícia Federal) em frente a sua residência, no condomínio Solar de Brasília.
“O que os autos e os acontecimentos da madrugada do dia 22 demonstram é, antes, a situação de todo delicada da saúde do ex-Presidente”, declaram.
A defesa do ex-presidente também pediu que a prisão preventiva seja convertida em domiciliar humanitária.
O QUE DIZ O STF
Um vídeo e um relatório divulgados pelo STF afirmam que o ex-presidente tentou abrir sua tornozeleira eletrônica usando um ferro de solda na madrugada de sábado. A diretora adjunta do Cime se deslocou ao local para uma análise presencial, e identificou marcas de queimadura ao redor de toda a estrutura, especialmente na área de fechamento. Ao ser questionado, Bolsonaro afirmou ter usado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento.
Assista ao vídeo do equipamento queimado (1min28s):
