
No dia 25 de novembro de 2025, o Ministério do Meio Ambiente confirmou que as 11 ararinhas-azuis reintroduzidas na natureza estão contaminadas com circovírus, agente causador de uma doença incurável e geralmente fatal para aves da família dos psitacídeos. A confirmação veio após a recaptura das aves em 2 de novembro, na região de Curaçá (BA), como parte de uma ação coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O diagnóstico representa um grave retrocesso para o projeto de reintrodução da espécie, extinta na natureza desde o início dos anos 2000 e considerada símbolo da fauna da caatinga. Desde 2020, o Brasil vinha conduzindo esforços para devolver as aves ao ambiente natural, com a colaboração de organizações internacionais e instituições privadas.
Diagnóstico expõe falhas sanitárias e conflito entre instituições
Durante a operação de recaptura e exames, autoridades ambientais identificaram graves falhas de biossegurança no criadouro responsável pela manutenção da maior parte da população da espécie. O ICMBio aplicou multa de R$ 1,2 milhão à empresa gestora das instalações por descumprir normas sanitárias e dificultar o trabalho das equipes técnicas.
Foram observadas condições inadequadas de higiene, falta de uso de equipamentos de proteção, ausência de controle de medicamentos e registros imprecisos de manejo clínico das aves. Mesmo com sinais anteriores de infecção, não foram adotadas ações imediatas de contenção.
A crise se aprofundou após a revelação de que uma ave mantida no exterior havia testado positivo ainda em janeiro de 2025, sem que as autoridades brasileiras fossem notificadas. Esse episódio gerou desconfiança sobre o cumprimento dos protocolos internacionais de biossegurança e transparência no compartilhamento de informações sanitárias.
Espécie ameaçada pode enfrentar nova extinção
Além das 11 aves contaminadas na natureza, mais de 90 ararinhas permanecem em cativeiro, onde já foram identificados casos anteriores de infecção — o que agrava o risco de disseminação. Amostras de sangue, fezes e penas foram coletadas para análise, e a área passou a ser monitorada de forma contínua pelas autoridades.
As inspeções também abrangeram aves silvestres da região. Algumas apresentaram sintomas semelhantes aos da doença do bico e das penas, como ausência de plumagem, crescimento anormal do bico e comportamento atípico, aumentando as suspeitas de contaminação ambiental.
O circovírus é de origem australiana e nunca havia sido identificado em aves em liberdade no Brasil, o que reforça a hipótese de contaminação dentro das instalações. A convivência entre aves saudáveis e infectadas, aliada à resistência ao controle sanitário, representa uma ameaça não só para a espécie, mas para a biodiversidade local.
Referências da notícia
Últimas ararinhas-azuis da natureza são diagnosticadas com vírus letal. 26 de novembro, 2025.
