Em post na Truth Social, o presidente norte-americano disse que a “África do Sul tem demonstrado ao mundo que não é um país digno de ser integrante de lugar nenhum” e anunciou que vai interromper “todos os pagamentos e subsídios” ao país “imediatamente”.
Em resposta, Cyril Ramaphosa (Congresso Nacional Africano, centro-esquerda), presidente da África do Sul, emitiu uma declaração dizendo que seu país é “soberano, constitucional e democrático e não tolera insultos de outro país sobre sua capacidade de participar de plataformas globais”.
Ramaphosa afirmou ser “lamentável que apesar de esforços e numerosas tentativas” de sua administração para restabelecer “as relações diplomáticas com os EUA, o presidente Trump continue a ser vingativo e busque aplicar medidas punitivas contra a África do Sul baseadas em desinformações e distorções”.
O líder também pediu que outros integrantes do G20 “reafirmem o seu funcionamento contínuo no espírito do multilateralismo, baseado no consenso, com todos os membros a participar em pé de igualdade em todas as suas estruturas”.
A justificativa dada por Trump para não convidar a África do Sul é que o presidente africano recusou-se a entregar a presidência do G20 cerimonialmente a um embaixador interino dos EUA. A Casa Branca decidiu, de última hora, que um funcionário de sua embaixada na África do Sul participaria da cerimônia de transição do G20. Autoridades sul-africanas rejeitaram e disseram que a entrega deveria ser feita a outro chefe de Estado e não a um diplomata.
Trump não compareceu ao G20 realizado na cidade de Joanesburgo neste ano e não enviou nenhum representante para o evento. O republicano diz que a África do Sul persegue descendentes de colonos europeus. “Eles estão matando pessoas brancas e aleatoriamente permitindo que suas fazendas sejam tomadas”, escreveu na publicação em sua rede social.
O fórum de cooperação econômica internacional representa 85% do PIB mundial e é formado pelas 19 maiores economias do planeta e 2 blocos econômicos (União Europeia e União Africana). No evento, os países discutem questões globais, como mudanças climáticas e desenvolvimento econômico. A presidência do G20 é rotativa e, a cada ano, um país integrante assume a liderança, responsável por sediar o evento e estabelecer os temas de discussão. Este ano foi a 1ª vez que a cúpula foi sediada no continente africano.
