Segundo comunicado do Inac (Instituto Nacional de Aviação Civil) venezuelano, as companhias afetadas foram as seguintes:
- Gol (Brasil);
- Latam (Chile);
- Avianca (Colômbia);
- Iberia (Espanha);
- TAP (Portugal);
- Turkish Airlines (Turquia).
Apesar de a Latam constar na lista, o governo venezuelano incluiu somente a operação colombiana da companhia. A Latam Brasil não faz voos diretos para a Venezuela.
As companhias aéreas suspenderam, no sábado (23.nov) e no domingo (24.nov), seus voos para a Venezuela, depois que a FAA (Agência Federal de Aviação, na sigla em inglês) dos EUA emitiu um alerta de segurança acerca de uma “situação potencialmente perigosa” por causa da “atividade militar intensificada” na região.
A FAA alertou que “as condições de segurança no espaço aéreo venezuelano não estão garantidas” e orientou todos os voos da área a “exercerem cautela”.
Na 2ª feira (24.nov), o Inac venezuelano deu 48 horas para que as companhias aéreas retomassem suas atividades para o país ou teriam suas licenças revogadas.
Segundo o comunicado do Inac, a revogação foi publicada no DO (Diário Oficial) nº 43.264, de 26 de novembro. Porém, no site da imprensa nacional venezuelana, só estão disponíveis para a leitura os DOs até o dia 7 de novembro.
Segundo o instituto, a decisão se justifica pelo fato de as companhias aéreas se juntarem “às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos EUA, suspendendo unilateralmente suas operações para e na República Bolivariana da Venezuela”.
TENSÕES COM OS EUA
A revogação da licença se dá em um contexto de crescentes tensões entre os EUA e o governo de Nicolás Maduro (PSUV, esquerda). Os norte-americanos enviaram um porta-aviões para o Caribe e aumentaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação do presidente venezuelano.
O governo dos EUA descreveu Maduro como “líder terrorista global do Cartel de los Soles”, organização de tráfico de drogas. Além disso, os militares norte-americanos realizaram ao menos 21 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico, resultando na morte de pelo menos 83 pessoas.
De acordo com os EUA, as embarcações eram usadas por narcotraficantes. Para a Venezuela, a ofensiva é uma tentativa de forçar a saída de Maduro do poder.
O presidente norte-americano, Donald Trump (Partido Republicano), tem dado sinais contraditórios em relação à Venezuela. Apesar de ter dito que não acreditava que os EUA entrariam em guerra contra o país sul-americano, respondeu “eu diria que sim” quando questionado se os dias de Maduro como presidente estavam contados.
Trump também já mencionou a possibilidade de iniciar um diálogo com Maduro, ao mesmo tempo em que afirmou não descartar o envio de tropas norte-americanas à Venezuela.
