Segundo ele, há uma “disputa de protagonismo” entre autoridades depois da megaoperação no Complexo do Alemão e da Penha, que resultou em 122 mortes e reacendeu embates entre a direita e a esquerda sobre como lidar com o tema. As declarações foram dadas durante o Seminário Esfera Rio de Janeiro 2025.
O prefeito criticou a justificativa social atribuída por alguns setores para a presença de criminosos armados em favelas.
“O que não dá para aceitar é essa justificativa permanente de que há um problema social, é quase que como se fosse um direito do sujeito portar um fuzil”, afirmou.
Paes completou que tal interpretação supõe que pobreza e delinquência são equivalentes, o que “não é verdade”.
Ele também disse que o Estado tem o dever de reagir quando confrontado: “O Estado nunca tem que buscar matar os outros. Mas se o Estado é enfrentado, só o Estado tem direito de inclusive acabar com a violência”.
Paes afirmou que o cenário preocupa e destacou que o Rio, embora tenha “gravíssimo problema de segurança”, não é a capital mais violenta do país. Segundo ele, “tem 19 capitais mais violentas na nossa frente”, mas a cidade acaba atraindo mais atenção e tensão nos debates nacionais. “Nós somos especialistas nisso, um debate absolutamente sem sentido no tema da segurança pública”, disse.
Ao defender ações de enfrentamento ao crime organizado, afirmou que é necessário combater tanto estruturas financeiras sofisticadas quanto grupos armados que controlam território. Paes mencionou operações recentes em São Paulo e disse que criminosos que “se travestem de homens e mulheres no mercado financeiro” precisam ser presos.
Ele disse que o morador de favela sofre mais com a violência do que as elites, e que o domínio territorial por facções deixou de ser fenômeno restrito a comunidades. Segundo Paes, bairros formais da zona norte do Rio já vivem sob a imposição de barricadas e regras impostas por organizações criminosas. “É inaceitável que a gente não combata essa criminalidade absurda que nos cega o direito de viver, nos tira a liberdade”, afirmou.
