Na China, maior fabricante do mundo, um PMI (sigla em inglês para Índice de Gerentes de Compras) privado indicou retorno à contração. O dado foi divulgado 1 dia depois de a leitura oficial mostrar o 8º mês seguido de queda, ainda que em ritmo mais moderado. As informações são da agência Reuters.
Segundo Zichun Huang, economista da Capital Economics, o movimento reflete portos com pouca variação no volume de contêineres em relação a outubro e níveis elevados de estoque. “O componente de produção caiu para o menor nível em 4 meses”, disse. Huang afirmou também que o item de preços subiu levemente, mas segue em patamar baixo, sinalizando pressão deflacionária.
A consultoria observou, entretanto, um descompasso entre os PMIs e os dados concretos de comércio exterior na região. “As exportações da maior parte da Ásia vêm avançando nos últimos meses e mantemos visão favorável para os setores industriais voltados às vendas externas”, declarou Shivaan Tandon, economista da Capital Economics, em relatório.
Grandes exportadores da região continuam a lidar com incertezas criadas pelas tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano). A assinatura de acordos comerciais com Japão e Coreia do Sul e a redução das tensões com a China trouxeram algum alívio, mas empresas ainda se ajustam ao ambiente atual.
No Japão, o PMI mostrou nova queda nos pedidos, prolongando para 2 anos e meio a trajetória negativa. O resultado é atribuído ao ambiente global enfraquecido, a cortes de orçamento de clientes e ao investimento moderado. Dados oficiais revelaram que o gasto empresarial em fábricas e equipamentos subiu 2,9% no 3º trimestre ante igual período do ano anterior, desaceleração em relação ao trimestre anterior.
A Coreia do Sul também registrou contração industrial pelo 2º mês seguido. Ainda assim, um acordo de comércio finalizado com os EUA trouxe alguma previsibilidade às empresas. Dados separados mostraram que as exportações coreanas cresceram pelo 6º mês consecutivo em novembro, superando as expectativas, impulsionadas por vendas recordes de chips e por alta no setor automotivo.
Em Taiwan, a atividade industrial seguiu em queda, porém em ritmo menos intenso.
Enquanto isso, as economias emergentes do Sudeste Asiático continuaram a se destacar. Indonésia e Vietnã relataram forte expansão em novembro e a Malásia voltou ao terreno positivo. A Índia, embora tenha registrado desaceleração em relação a outubro, manteve seu PMI bem acima dos vizinhos, consistente com outros indicadores de dinamismo. O país divulgou que seu PIB (Produto Interno Bruto) cresceu no 3º trimestre no ritmo mais forte em 18 meses, impulsionado pelo consumo das famílias.
