O atentado em DC expôs mais uma vez o colapso do sistema de asilo nos últimos quatro anos. O backlog (lista) de casos saltou de cerca de 580 mil em janeiro de 2021 para 3,6 milhões em outubro de 2024 (dados do Executive Office for Immigration Review – EOIR). Programas como CBP One, a liberação condicional humanitária em massa de detidos e a política de “catch and release” permitiram a entrada de milhões de pessoas sem triagem adequada de segurança. Relatórios do Department of Homeland Security indicam que, entre 2021 e 2023, mais de 375 indivíduos incluídos na Terrorist Screening Dataset (TSDS, ou Base de Dados de Rastreamento Terrorista) foram encontrados na fronteira sul, com pelo menos 99 sendo liberados para entrar no país. Foi exatamente contra esse modelo – que quebrou a confiança pública e a segurança nacional – que Trump direcionou suas críticas, e não contra a imigração qualificada.
Durante o primeiro mandato (2017-2021), todas as medidas de restrição (Travel Bans, Remain in Mexico, Proclamation 10014) continham exceções explícitas ou foram rapidamente ajustadas para preservar as categorias EB-1, EB-2 NIW, O-1 e EB-5. O resultado concreto disso foi que as aprovações de EB-1A aumentaram cerca de 18%, entre fevereiro de 2016 e fevereiro de 2020 (de aproximadamente 10 mil para 12 mil, com base em relatórios USCIS); a taxa de aprovação de O-1 permaneceu acima de 90% em média; e o programa EB-5 seguiu ativo, mesmo após a reforma que elevou o investimento mínimo de US$ 500 mil para US$ 900 mil em Targeted Employment Areas (TEAs).
Para brasileiros, os números são ainda mais claros: no ano fiscal de 2024, foram aprovadas mais de 1.900 petições EB-1A e EB-2 NIW (recorde histórico, com base em dados agregados de relatórios USCIS e firmas especializadas) e autorizados cerca de 450 projetos EB-5 envolvendo investidores brasileiros. Nenhum país da América Latina jamais foi incluído em listas de suspensão de vistos de imigrantes baseados em mérito ou investimento.
Em linha com essa visão meritocrática, Trump tem defendido abertamente programas de imigração para talentos de alta qualificação, como o visto H-1B para profissionais especializados em áreas como tecnologia e engenharia. Em novembro de 2025, em entrevista à Fox News, ele afirmou que os Estados Unidos não possuem trabalhadores domésticos com “certos talentos” necessários para preencher vagas críticas, justificando a necessidade de atrair estrangeiros qualificados: “Você não pode pegar pessoas de uma fila de desemprego e colocá-las em uma fábrica”. Essa posição ecoa declarações feitas em dezembro de 2024 ao New York Post: “Eu sempre gostei dos vistos, sempre fui a favor dos H-1B”.
No ano fiscal de 2024, quase 400 mil vistos H-1B foram aprovados (o dobro, em relação a 2020), e o programa continua essencial para setores como TI, com mais de 470 mil inscrições em fevereiro de 2025 contra um teto de apenas 85 mil vagas. Para brasileiros da área de tecnologia e ciências, isso reforça o compromisso com a imigração que impulsiona a inovação americana. O que deve mudar a partir de janeiro de 2026 é precisamente o que estava fora de controle: fim da liberação em massa, restrição severa ao asilo ofensivo na fronteira e maior deportação de imigrantes ilegais. Para quem tem perfil real de habilidades acima da média ou capital para investir, o ambiente será favorável, pois o USCIS poderá realocar recursos hoje desperdiçados em milhões de casos sem fundamento.
À leitora e ao leitor que valorizam ordem, mérito e segurança: a dita pausa na imigração de países do Terceiro Mundo não é para você e visa a consertar o que foi deliberadamente quebrado nos últimos quatro anos. Quem vem para os Estados Unidos para construir, empreender e gerar riqueza não será afetado. Pelo contrário, será beneficiado por um sistema que voltará a premiar a excelência.
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