O número de inscrições triplicou nas últimas 6 edições. Nesse período, o número de vagas oferecidas também aumentou, mas não o suficiente para deixar a prova menos competitiva. Considerando o número de inscritos, a relação candidato/vaga era de 98:1. Essa relação é maior do que para cursar medicina na USP (Universidade de São Paulo) –91:1.
A quantidade de inscritos e de candidatos recorde consolida uma tendência especialmente entre os jovens chineses –a de buscar cargos públicos em vez de encarar o mercado de trabalho privado.

Para alguns, o Exame Civil Nacional é uma alternativa melhor do que procurar um emprego no mercado de trabalho, cuja tendência tem sido de desvalorização de diplomas universitários, perda de espaço para novas tecnologias (robôs e inteligência artificial) e jornadas de trabalho que muitas vezes acontecem no modelo “996” –das 9h às 21h, 6 dias por semana.
Nos últimos anos, o desemprego entre jovens tem sido um dos maiores desafios do governo chinês. Em outubro, o índice entre chineses de 16 a 24 anos desocupados em áreas urbanas foi de 17,7 %. Para solucionar o problema, a China passou a oferecer um subsídio para empresas contratarem jovens desempregados.
O exame deste ano também foi o 1º que elevou o limite de elegibilidade para 38 anos. Antes, o candidato poderia ter no máximo 35 anos. Para recém-formados em programas de mestrado e doutorado, o limite de idade foi ainda mais flexibilizado para 43 anos.
Os candidatos que realizaram a prova saberão suas notas em janeiro. A partir dessa pontuação, os candidatos serão qualificados para a próxima fase, que consiste em uma entrevista. Por exemplo: se 98 pessoas disputam uma vaga, as 3 com melhor nota avançam para a entrevista, quando uma será escolhida.
Para ser elegível ao concurso, é necessário:
- ser um cidadão chinês;
- ter entre 18 e 38 anos (mestres e doutores podem ter até 43);
- apoiar a liderança do Partido Comunista da China;
- ter boa moral e caráter.
CONCURSO PÚBLICO MAIS ANTIGO DO MUNDO
A China tem o maior histórico de exames públicos nacionais do mundo. Os primeiros registros de concursos do tipo para selecionar funcionários de Estado datam da dinastia Sui (581-618).
Ao longo de cerca de 1.300 anos a China realizou os chamados “exames imperiais”, que formavam o corpo de administradores civis e militares no país. A prova tinha 3 fases, sendo que a última realizada na capital da província onde os candidatos tentavam a vaga.
Esse modelo permitia que chineses de diferentes classes sociais pudessem elevar seu status social. Os exames imperiais foram influenciados pelo maior filósofo chinês, Confúcio (551-479 a.C.), que dizia que o poder deveria ser exercido através da capacidade meritória.
