“Tenho muita esperança de que a Venezuela será livre e que transformaremos o país num farol de esperança e oportunidade, de democracia”, disse María Corina, que chegou a Oslo na 4ª feira (10.dez), horas depois de sua filha Ana Corina Sosa representá-la na cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz. A líder da oposição ao presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) disse que voltará a seu país de origem para “terminar o trabalho” de restabelecer a democracia.
María Corina afirmou a jornalistas que só conseguiu deixar seu país, onde vive clandestinamente, com a ajuda do governo dos Estados Unidos. Não deu detalhes de como foi auxiliada. Segundo uma reportagem publicada nesta 5ª feira (11.dez) pelo “Wall Street Journal”, a líder opositora precisou se disfarçar para passar por 10 postos de controle dentro da Venezuela. A saída do país foi de barco.
O Exército dos EUA precisou ser avisado para não bombardeá-la. Desde setembro, os militares norte-americanos atacam embarcações na região sob justificativa de combater o tráfico internacional de drogas. Em outubro, quando Nobel da Paz foi anunciado, María Corina dedicou o prêmio ao presidente Donald Trump (Partido Republicano).
Cerimônia do Nobel
A cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz aconteceu na 4ª feira (10.dez) sem a presença da laureada. A filha de María Corina recebeu a distinção representando sua mãe e relembrou a luta da oposição na Venezuela e o cenário difícil do país. “No entanto, o povo venezuelano não se rendeu”, afirmou. “Este prêmio carrega um significado profundo; ele lembra ao mundo que a democracia é essencial para a paz”.
No discurso, afirmou que a causa venezuelana rompia fronteiras. Homenageou os presos políticos de seu país e as famílias que seguiam lutando pelos direitos humanos. “Porque, no fim das contas, nossa jornada rumo à liberdade sempre viveu dentro de nós. Estamos voltando a ser nós mesmos. Estamos voltando para casa”, disse.
