A embarcação partiu da Venezuela em 4 de dezembro com destino ao porto cubano de Matanzas. De acordo com dados internos da PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.), o navio transportava quase 2 milhões de barris de petróleo bruto.
Em 6 de dezembro, porém, o Skipper descarregou cerca de 50.000 barris para o navio Neptune 6, que seguiu para Cuba. Depois da operação, o Skipper partiu para a Ásia com a maior parte da carga ainda a bordo.
A rota evidencia como, na prática, Cuba se beneficia do comércio de petróleo com a Venezuela. A Cubametales, estatal cubana responsável pela comercialização de petróleo, listou Cuba como destino do navio, indicando que 1,1 milhão de barris alocados à empresa seguiriam para a ilha. O petroleiro, no entanto, acabou navegando para a China, após entregar apenas uma fração do volume previsto.
Durante décadas, Maduro e Hugo Chávez, seu antecessor, enviaram petróleo a Cuba a preços subsidiados, assegurando ao país um insumo estratégico a baixo custo.
Em contrapartida, o governo cubano enviou dezenas de milhares de médicos, instrutores esportivos e profissionais de segurança para missões na Venezuela. Maduro também passou a contar com guarda-costas e agentes de contraespionagem cubanos, segundo o jornal, em meio ao aumento da presença militar norte-americana no Caribe.
Nos últimos anos, entretanto, apenas parte do petróleo venezuelano destinado a Cuba chegou à ilha, conforme documentos da PDVSA. A maior parcela foi revendida à China, com os recursos repassados ao governo cubano.
Estima-se que parte desse dinheiro tenha sido usada para a compra de bens básicos, embora as fragilidades da economia cubana dificultem a verificação do destino dos recursos e a identificação de intermediários comerciais
Na 6ª feira (12.dez.2025), autoridades cubanas condenaram a apreensão do petroleiro pelos EUA, classificando o episódio como um “ato de pirataria e terrorismo marítimo”, que prejudica Cuba e sua população
“Essa ação faz parte da escalada dos EUA destinada a dificultar o direito legítimo da Venezuela de usar e comercializar livremente seus recursos naturais com outras nações, incluindo o fornecimento de hidrocarbonetos para Cuba”, diz o texto.
PETROLEIRO FOI PARTE DE FROTA CLANDESTINA
Antes de transportar petróleo venezuelano, o Skipper passou 4 anos integrado à frota clandestina do Irã, operando rotas de petróleo iraniano para a Síria e a China.
Segundo o New York Times, as viagens do navio revelam uma rede mais ampla e flexível que conecta as indústrias de energia da Venezuela, Cuba, Irã e Rússia. Os 4 países enfrentam sanções impostas por Washington e foram excluídos do mercado formal global de petróleo.
Especialistas ouvidos pelo jornal afirmam que esses laços energéticos foram fortalecidos por oportunidades comerciais, com os países compartilhando estratégias para contornar sanções e manter o fluxo de receitas petrolíferas.
A Rússia fornece à Venezuela importações de nafta, derivado usado para diluir o petróleo bruto pesado do país. A Rosneft, estatal petrolífera russa, produz cerca de 100 mil barris por dia na Venezuela e já desempenhou papel relevante na exportação de petróleo venezuelano para a China.
