Segundo um levantamento da gestora de serviços imobiliários comerciais Cushman & Wakefield referente ao 3º trimestre deste ano, 29% dos escritórios classe A em Shenzhen estão vagos. São considerados imóveis de classe A os escritórios mais modernos e localizados nos centros financeiros ou polos de negócios. Eis a íntegra do relatório (PDF – 392 kB, em inglês).
Já de acordo com a Savils, a porcentagem de escritórios vazios na megacidade é ainda maior. Um relatório da companhia referente ao mesmo período do levantamento da Cushman & Wakefield diz que a vacância em Shenzhen chega a 31,6%. Para o setor imobiliário comercial, uma taxa de vacância considerada saudável fica em torno de 20%. Eis a íntegra (PDF – 406 kB, em inglês).
A proporção de escritórios corporativos vazios em Shenzhen é o resultado de um dos crescimentos imobiliários mais impressionantes da história. Localizada na província de Guangdong e vizinha a Hong Kong, Shenzhen era uma vila de pescadores com cerca de 60.000 habitantes na década de 80.
Em 1980, o Partido Comunista da China decidiu transformar a cidade em uma zona econômica especial, o que garantiu maior autonomia orçamentária à cidade, a abertura para um investimento estrangeiro massivo e flexibilização de migrações –a China tem um sistema que limita as migrações entre cidades chinesas.
A política que transformou a cidade em um laboratório econômico resultou em uma megacidade de mais de 17 milhões de habitantes e um crescimento de 10.000 vezes do PIB (Produto Interno Bruto) em 40 anos.
Logicamente, para acompanhar esse desenvolvimento, construtoras investiram e continuam a investir em Shenzhen. Segundo a Cushman & Wakefield, Shenzhen tinha 5,5 milhões de metros quadrados de escritórios classe A em 2019. Em 2025, o número registrado é de 8,8 milhões, um crescimento de 60,7% em 7 anos.
Para reduzir a vacância, Shenzhen implementou no 1º semestre de 2025 um plano de zerar o aluguel em alguns parques industriais. Empresas que tenham interesse em se instalar na cidade podem ter o benefício por até 5 anos.
O problema é que outras cidades chinesas como Cantão, Suzhou e Hanzhou também adotaram políticas similares, fazendo as cidades competirem entre si.

RIO DE JANEIRO ENFRENTA O MESMO PROBLEMA
Entre algumas das principais cidades mapeadas pela Cushman & Wakefield, o Rio ocupa a 2ª colocação na vacância de escritórios vazios, atrás apenas de Shenzhen. No caso da capital fluminense, os motivos para essa taxa são diferentes da cidade chinesa.
Ao Poder360, o diretor adjunto de locação da Abadi (Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis), Marco Freitas, explicou que o Rio passa por um estresse no setor imobiliário comercial desde 2015, quando a crise econômica fez várias empresas fecharem seus escritórios.
Além da recessão que o país enfrentou em 2015, diversas empresas instaladas no Rio, em especial do setor de óleo e gás, foram impactadas. Entre o final de 2017 e 2018, a vacância no Rio ficou em torno de 45%.
Freitas elencou outros fatores que impactaram o setor na última década:
- taxa de juros elevada;
- efeitos da pandemia de covid-19 (em especial o aumento do home office);
- violência urbana.
“Teve uma debandada de empresas que saiu daqui [Rio]”, disse Freitas. “Agora a gente está em um processo de se reestabelecer. O que impacta mais agora é uma pressão inflacionária com os juros altos que pressionam os investimentos das empresas”, declarou.
