Áudio obtido pelo ge indica que os envolvidos lucraram com a operação. Em um dos trechos, Schwartzmann afirma: “Todo mundo ganhou”. O caso envolve o camarote 3A, localizado no setor leste do estádio, identificado internamente como “sala presidência”, em frente ao escritório do presidente do clube.
De acordo com a reportagem, Rita de Cassia Adriana Prado teria atuado como intermediária na exploração comercial do espaço. Segundo os autos, o superintendente do clube, Marcio Carlomagno, repassou o camarote para Mara Casares, que o cedeu a Adriana para comercialização.
Os ingressos para o show, realizado em 13 de fevereiro, chegaram a custar R$ 2,1 mil cada. O camarote tinha capacidade para faturar até R$ 132 mil.
O caso veio a público depois de Adriana ingressar com ação na 3ª Vara Cível de São Paulo, em 10 de junho, contra Carolina Lima Cassemiro, da Cassemiro Eventos Ltda. Ela afirmou que Carolina retirou, sem autorização, um envelope com 60 ingressos do camarote no dia da apresentação.
De acordo com a intermediária, a empresa havia adquirido os ingressos por R$ 132 mil, mas pagou apenas R$ 100 mil. Por esse motivo, Adriana se recusava a entregar o material nos corredores do estádio. Ela também registrou Boletim de Ocorrência na 34ª DP de São Paulo.
Depois da judicialização, Douglas Schwartzmann e Mara Casares passaram a pressionar Adriana para retirar a ação.
Em áudio obtido pelo ge, Schwartzmann questiona Adriana sobre o caráter clandestino da operação e afirma que o procedimento foi “indevido” e “não normal”. Ele também admite que Carlomagno tinha conhecimento da situação e demonstra preocupação com as consequências internas no clube, citando o impacto para Mara Casares e sua ligação com o presidente Julio Casares.
Douglas relata ainda que o superintendente o procurou após tomar conhecimento do processo e demonstrou receio de ter de envolver outros nomes do clube caso o caso avançasse.
Mara Casares, por sua vez, pede ajuda à intermediária e afirma que o processo poderia prejudicar sua trajetória profissional dentro do São Paulo, onde diz estar construindo um caminho para assumir cargos mais relevantes.
Posicionamento dos envolvidos
O Poder360 procurou o o São Paulo por meio de mensagem enviada nesta 2ª feira (15.dez.2025) via aplicativo de mensagens, para perguntar se ela gostaria de se manifestar sobre o possível esquema envolvendo dirigentes. Até o momento da publicação desta reportagem, não houve resposta. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital
Em nota enviada ao ge, o São Paulo confirmou que o camarote 3A pertence ao clube e que, no dia do show, estava sob responsabilidade da diretoria feminina, cultural e de eventos. O clube afirmou que faz uso comercial e institucional do espaço e que, em determinados eventos, a visibilidade pode ser comprometida pela montagem do palco.
Depois da publicação, o São Paulo enviou nova nota afirmando desconhecer a existência de qualquer áudio e negando o esquema ilegal de venda de ingressos.
Ao ge, Mara Casares confirmou a cessão do camarote a Adriana Prado, mas negou ter obtido vantagem financeira. Segundo ela, a cessão ocorreu em razão de parceria prévia e da falta de tempo para cumprir trâmites internos, com a condição de que os ingressos fossem adquiridos diretamente com a produtora do evento.
Também ao ge, Marcio Carlomagno declarou surpresa pelo uso de seu nome e negou qualquer participação ou conhecimento de esquema clandestino, afirmando que o camarote foi cedido pontualmente ao departamento comandado por Mara.
Procurada pelo ge, Carolina Lima Cassemiro afirmou que desconhecia qualquer irregularidade, disse ter sido enganada e declarou possuir provas de que cumpriu o acordo e realizou o pagamento combinado.
Também procurados pelo ge, Douglas Schwartzmann e Rita de Cassia Adriana Prado não se pronunciaram.
