DEPRESSÃO: UMA DOENÇA MÉDICA QUE EXIGE CUIDADO CONTÍNUO
A depressão é uma doença crônica, complexa e potencialmente grave, que compromete o humor, o pensamento, o comportamento e até funções físicas básicas.
Não se trata de fraqueza, falta de fé ou ausência de força de vontade. É uma condição médica real, com base biológica, psicológica e social.
Entre as principais causas da depressão estão a predisposição genética, alterações neuroquímicas cerebrais, estresse crônico, traumas emocionais, doenças físicas persistentes e o isolamento social.
Os sintomas variam desde quadros leves até formas graves, com importante prejuízo da funcionalidade, do convívio social e da qualidade de vida.
TRATAMENTO DA DEPRESSÃO: PSIQUIATRA, PSICOTERAPIA E ATIVIDADE FÍSICA
O tratamento da depressão deve ser individualizado. Quadros leves podem ser inicialmente conduzidos pelo médico generalista, com acompanhamento próximo.
Já os casos moderados e graves exigem avaliação e seguimento especializado com psiquiatra, responsável pela indicação adequada de antidepressivos, ajuste de doses e monitoramento do risco de suicídio.
Por se tratar de uma doença crônica, o tratamento pode ser prolongado nos casos mais severos ou recorrentes. A interrupção precoce da medicação é uma das principais causas de recaída.
A psicoterapia é parte essencial do tratamento, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, ajudando o paciente a compreender padrões de pensamento negativos, desenvolver estratégias de enfrentamento e fortalecer o autocuidado.
A atividade física regular também desempenha papel fundamental no tratamento da depressão. Exercícios aeróbicos e de fortalecimento muscular demonstram benefícios comprovados na redução dos sintomas depressivos, melhora do sono, aumento da autoestima e regulação do humor, funcionando como importante aliada ao tratamento medicamentoso.
PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: FALAR, ACOLHER E CUIDAR
A depressão não tratada é um dos principais fatores de risco para o suicídio. Falar sobre o tema não estimula o ato, mas salva vidas.
Sinais de alerta como isolamento social progressivo, desesperança intensa, abandono do autocuidado e falas recorrentes sobre morte devem ser valorizados.
A busca precoce por ajuda médica, o acompanhamento contínuo e o apoio da família são fundamentais para a prevenção.
O PAPEL DA FAMÍLIA NO TRATAMENTO
A depressão não afeta apenas o indivíduo, mas todo o núcleo familiar. A participação da família é decisiva para o sucesso do tratamento, oferecendo apoio emocional, escuta sem julgamentos, incentivo à adesão terapêutica e vigilância de sinais de agravamento.
Famílias informadas compreendem que recaídas podem ocorrer e que o tratamento exige tempo, paciência e continuidade.
FIBROMIALGIA: DOENÇA CRÔNICA E MULTIFATORIAL
A fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica, caracterizada por dor difusa no corpo, fadiga intensa, sono não reparador e alterações cognitivas.
É uma condição multifatorial, envolvendo alterações na modulação central da dor, distúrbios do sono, fatores emocionais e, em alguns casos, mecanismos imunológicos associados.
Pela experiência clínica e pela natureza da doença, a fibromialgia é diagnosticada e tratada pelo reumatologista, que avalia diagnósticos diferenciais, doenças autoimunes associadas e coordena o plano terapêutico.
TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR DA FIBROMIALGIA: EXERCÍCIO É O PILAR
O tratamento da fibromialgia deve ser multidisciplinar e multiprofissional, envolvendo:
- reumatologista (coordenação do cuidado)
- psiquiatra, quando há depressão ou ansiedade associadas
- psicólogo
- fisioterapeuta
- educador físico
Diferentemente de outras doenças, na fibromialgia a atividade física não é apenas benéfica, mas obrigatória para a melhora clínica sustentada a longo prazo.
Exercícios aeróbicos, alongamentos e fortalecimento muscular, quando realizados de forma regular e orientada, reduzem a dor, melhoram o sono, aumentam a funcionalidade e diminuem a dependência de medicamentos.
Medicamentos podem auxiliar no controle da dor e dos sintomas associados, mas sem exercício físico não há controle adequado da doença.
CONCLUSÃO: CUIDAR DA MENTE É CUIDAR DO CORPO
Depressão e fibromialgia compartilham desafios comuns: cronicidade, estigma e sofrimento silencioso.
O tratamento eficaz depende de diagnóstico precoce, abordagem especializada, participação ativa da família, prática regular de atividade física e trabalho integrado entre diferentes profissionais de saúde.
Quanto mais cedo o cuidado começa, maior é a chance de controle dos sintomas e de recuperação da qualidade de vida.
O post Depressão e fibromialgia: compreender para tratar, acolher para prevenir apareceu primeiro em A Gazeta do Amapá.
