A Câmara Constitucional do Supremo Tribunal da Venezuela designou a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A decisão foi tomada no sábado (3.jan.2026), após Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) ter sido capturado por forças militares norte-americanas durante operação realizada na madrugada do mesmo dia em Caracas, capital do país.
O tribunal venezuelano emitiu ordem determinando que Rodríguez assumisse imediatamente as funções presidenciais enquanto Maduro permanece detido. A medida busca garantir a continuidade administrativa do governo venezuelano diante da ausência do presidente. Eis a íntegra do comunicado divulgado pelo tribunal (PDF – 384KB).
A operação que resultou na detenção de Maduro foi executada no sábado (3.jan) por volta das 2h no horário local (3h em Brasília). O comunicado oficial do tribunal não detalhou as circunstâncias completas que levaram à captura do mandatário nem seu paradeiro atual.
De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Maduro deverá responder na Justiça federal, em Manhattan, a acusações de envolvimento com tráfico internacional de drogas e crimes relacionados a armas. Um novo indiciamento foi tornado público neste sábado e inclui, além do presidente venezuelano, integrantes de sua família e aliados políticos. Maduro e a mulher, Cilia Flores, chegaram na noite de sábado (3.jan) a Nova York e deverão ficar em cadeia no Brooklyn.
A Câmara Constitucional do Supremo Tribunal da Venezuela anunciou que irá debater o assunto para estabelecer o marco legal aplicável.
De acordo com o texto da decisão judicial, Rodríguez assumirá “o cargo de presidente da República Bolivariana da Venezuela, a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”.
O texto não divulgou informações sobre as acusações específicas contra Maduro nem detalhes sobre como a operação norte-americana foi conduzida em território venezuelano.
COMANDO DO PAÍS
No início da tarde de sábado (3.jan), o presidente Donald Trump (Partido Republicano) afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração da Venezuela até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.
Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido por Delcy Rodríguez. Trump disse que o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, conversou com a vice e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.
Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.
Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.
O ATAQUE
Trump anunciou no sábado (3.jan), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou Maduro e a primeira-dama Cilia Flores.
O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.
Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.
Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. Rubio declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.
É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação. Segundo o New York Times, foram ao menos 40 mortes.
Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.
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