A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) afirmou que “mais uma vez vai ter sangue nas mãos do excelentíssimo ministro [Alexandre de Moraes] e do [procurador-geral da República Paulo] Gonet”. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) não havia autorizado a ida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao hospital depois de queda na cela na Superintendência da PF (Polícia Federal) na madrugada de 3ª feira (6.jan.2026).
Segundo ela, Bolsonaro é “negligenciado e torturado” por estar “em um quarto trancado que só pode ser aberto quando ele tem que tomar medicação”. A família afirma que o ex-presidente precisa de mais cuidados médicos do que os oferecidos a ele na prisão. A declaração foi dada a jornalistas na 3ª feira (6.jan). Já nesta 4ª feira (7.jan), Moraes autorizou a transferência do ex-presidente para o Hospital DF Star.
Michelle usou a expressão “mais uma vez” em referência a Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como Clezão. Um dos réus do 8 de Janeiro, Clezão morreu em novembro de 2023, depois de ter um mal súbito no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.
Clezão se tornou um dos símbolos dos aliados de Bolsonaro, sendo frequentemente citado para criticar o STF. Em março de 2025, por exemplo, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o Supremo o “roubou” da família.
Assista ao trecho da entrevista em que Michelle fala em “sangue nas mãos” (44s):
Michelle disse que, na 3ª feira (6.jan), foi visitar o marido no horário estipulado (das 9h às 9h30) mas só foi liberada para a visitação às 10h. Segundo ela, nesse período, Bolsonaro estaria recebendo os primeiros socorros depois da queda.
A ex-primeira-dama declarou que Bolsonaro não se lembra de como caiu e não sabe por quanto tempo ficou desacordado. Ele apresentava um hematoma no rosto e estava com o pé sangrando. Michelle afirmou que o marido teve “todos os direitos violados”.
Segundo ela, o delegado com quem conversou aceitou levar o ex-presidente até o hospital e convocou reforços da PM (Polícia Militar) para que acompanhassem o trajeto. Na saída da Superintendência, receberam a informação de que a ida ao hospital só seria autorizada depois de a defesa apresentar uma petição “detalhada e periciada”.
Assista à íntegra da entrevista da ex-primeira-dama sobre o marido (10min49s):
O médico do ex-presidente, o cardiologista clínico Brasil Caiado, avaliou Bolsonaro na Superintendência. O especialista afirmou que o ex-presidente apresentava apatia e lentidão nas respostas. Exames complementares para um diagnóstico mais preciso são necessários, mas há a possibilidade de um traumatismo craniano leve.
Na manhã desta 4ª feira (7.jan), Moraes autorizou a ida do político ao hospital DF Star para uma nova avaliação. Os seguintes exames foram permitidos:
- tomografia de crânio;
- ressonância magnética de crânio;
- eletroencefalograma.
A ex-primeira-dama disse ser necessário investigar se a queda de Bolsonaro está relacionada à medicação que ele toma desde abril para tratar os soluços ou se há um quadro convulsivo.
Ainda sobre a saúde de Bolsonaro, Michelle afirmou que ele precisa de um enfermeiro na cela, já que tem apneia do sono, soluços e chegou a apresentar um quadro parecido com convulsão na última internação –Bolsonaro foi levado ao DF Star em 25 de dezembro de 2025 para operar duas hérnias na virilha.
A ex-primeira-dama comparou a situação de Bolsonaro com a do ex-presidente Fernando Collor, que foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa em abril de 2025. A prisão domiciliar de Collor foi autorizada por Alexandre de Moraes depois de a defesa apresentar laudos comprovando que ele tem Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar.
“Não estou menosprezando o quadro de saúde do ex-presidente Collor, mas ele foi liberado porque tem apneia do sono. Meu marido também tem e é gravíssimo. Ele passa por tudo isso porque em 2018 um ex-psolista atentou contra a vida dele”, declarou.
Depois da facada de 2018, o ex-presidente teve que passar por 12 cirurgias, das quais 8 estão diretamente relacionadas a sequelas do ferimento abdominal. “É uma mancha para a instituição se algo acontecer com o meu marido”, declarou Michelle.
A ex-primeira-dama chegou a afirmar que Bolsonaro não vai fugir caso seja liberado para a prisão domiciliar. “Isso nunca passou pela cabeça dele”, declarou.
“Eu preciso que ele esteja dentro de casa para poder cuidar dele”, disse Michelle Bolsonaro.
