Ciro Nogueira, presidente do PP, defendeu que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), seja o nome escolhido para a vice na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas eleições presidenciais deste ano. Segundo ele, Zema reúne “entregas e experiência” e poderia ajudar a compor uma candidatura competitiva em um pleito que, na avaliação do dirigente, tende a ser definido pelos eleitores do Sudeste.
Nogueira disse, contudo, que não tem certeza se Zema “chega a somar eleitoralmente” e afirmou que a decisão precisa ser baseada em estratégia. Para sustentar o argumento, citou a eleição passada e afirmou esperar que Flávio não repita o erro cometido por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao escolher o general Walter Braga Netto como vice, em vez da senadora Tereza Cristina (PP-MS). “Ali, ele deixou de acenar para o eleitorado feminino e perdeu a eleição. A escolha precisa ser estratégica”, declarou em entrevista ao jornal O Globo.
Por enquanto, Flávio e Zema são adversários na disputa, já que ambos disseram que serão candidatos ao Planalto.
O presidente do PP afirmou já ter comunicado a Jair Bolsonaro que será candidato ao Senado pelo Piauí e que está “fora” da disputa pelo Planalto. “Desde já, digo que não quero ser vice”, declarou.
Na 3ª feira (6.jan), Flávio disse que Ciro é entusiasta de sua candidatura. Declarou que acredita que estarão juntos no palanque e que o presidente do PP foi uma das primeiras pessoas que o incentivou a divulgar seu nome como candidato à Presidência.
Ciro Nogueira falou sobre o que considera central para uma vitória: falar com o eleitor de centro. Ao comentar sobre o Nordeste, disse que a região, da qual ele próprio é originário, tende a votar majoritariamente no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), independentemente da origem do candidato a vice de outras chapas.
Segundo ele, o nome de Flávio Bolsonaro é “incontornável” e não há caminho de volta na definição da candidatura. Ciro declarou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), só entraria na disputa presidencial com apoio explícito de Jair Bolsonaro, possibilidade que, segundo ele, hoje não existe.
O presidente do PP disse que Flávio teria uma vantagem geracional sobre Lula, ao afirmar que o presidente “vive olhando para trás”. Por outro lado, afirmou que insistir em pautas restritas à base mais fiel –como defender a nomeação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para o Itamaraty– afastaria eleitores e comprometeria o desempenho eleitoral.
“Mais importante que o vice é o discurso de união e modernização. Flávio leva uma vantagem em relação ao Lula, que é a idade. Lula vive olhando para trás”, disse.
