O INPE reorganizou o acesso a imagens e produtos gratuitos de satélite. Veja três usos práticos na roça: comparar vigor da vegetação, acompanhar nuvens e chuva e monitorar focos de fogo, com aplicação direta no manejo.

Satélite costuma parecer coisa de grande empresa, mas já dá para acompanhar nuvens, chuva, fumaça e mudanças na paisagem sem assinatura. Em dezembro de 2025, o INPE anunciou uma nova página no Portal da Base de Informações Georreferenciadas (BIG) para tornar mais intuitivo o acesso ao seu acervo de imagens de satélite e produtos meteorológicos/climáticos.

Isso importa porque encurta a distância entre o dado e a decisão. O próprio INPE explica que o portal data.inpe.br integra a modernização da infraestrutura de serviços e foi criado para facilitar a pesquisa e a obtenção de imagens disponibilizadas gratuitamente. Para o leitor, a promessa é simples: encontrar “onde clicar” e entender o que cada produto entrega.
O que mudou na prática: menos caça ao link, mais fonte oficial
O novo arranjo funciona como um ponto de entrada. De lá, uma das portas mais úteis é o Catálogo de Imagens do INPE, que reúne cenas de satélites como CBERS e Amazonia-1, com busca por data e área de interesse. O INPE também explicita as condições de uso: as imagens podem ser copiadas e redistribuídas desde que a fonte seja citada.

Na roça, isso não substitui vistoria, mas ajuda a priorizar. Sequências de imagens permitem comparar antes/depois de um temporal, observar áreas encharcadas, falhas de plantio ou padrões de estresse. A vantagem é trabalhar com referência: o mesmo tipo de imagem, na mesma escala, ao longo do tempo.
Três usos práticos, hoje, com ferramentas do INPE
A forma mais segura de começar é escolher um objetivo e usar o produto certo. Para “céu em movimento”, o DSAT do CPTEC/INPE oferece visualização interativa e informa que foi atualizado para o GOES-19 (operacional desde abril de 2025), mantendo os produtos e imagens.

Para fogo, o BDQueimadas reúne focos detectados por satélites e declara atualização a cada três horas, com filtros e análises.
- Vigor e mudanças na lavoura: use o Catálogo (CBERS/Amazonia-1) para comparar o “verdor” e identificar onde investigar em campo.
- Cicatrizes e risco de fogo: consulte BDQueimadas para checar focos próximos e documentar episódios no entorno da propriedade.
- Nuvens e chuva no curto prazo: acompanhe sequências no DSAT para planejar pulverização, colheita e trânsito de máquinas.
Do dado ao manejo no Brasil: como usar sem se perder
O desafio brasileiro é menos “falta de satélite” e mais tradução para rotina. Comece por um talhão e uma pergunta (onde encharcou? houve fumaça? a janela de aplicação fecha hoje?), compare sempre a mesma camada e anote datas.
A boa notícia é que a reorganização do acesso deixa o caminho mais óbvio para quem nunca usou esses dados. Com fonte oficial, o produtor reduz “achismo”, ganha histórico e melhora o timing das operações, especialmente em anos de extremos.
O satélite não decide por você, mas mostra onde o problema começa, e onde a visita de campo deve chegar primeiro, de forma simples, segura.
Referência da notícia
INPE lança nova página para facilitar o acesso e a compreensão ao seu acervo de imagens de satélite e produtos climáticos/meteorológicos. 23 de dezembro, 2025. INPE-CPTEC.
