A necessidade líquida de financiamento do governo geral subiu para 9,99% do PIB no 3º trimestre de 2025, um salto em relação aos 7,62% registrados no mesmo período de 2024. O resultado reflete a pressão dos juros sobre a dívida pública e o aumento de despesas acima da arrecadação.
Os dados constam no Boletim de Estatísticas Fiscais divulgado nesta 6ª feira (9.jan.2026) pelo Tesouro Nacional. Eis a íntegra (PDF – 536 kB).
O desequilíbrio foi impulsionado principalmente pelo custo de carregamento da dívida. A despesa com juros saltou de 7,86% para 10,11% do PIB em um ano.
Eis os destaques do resultado:
- descompasso – a despesa nominal cresceu 14,89%, enquanto a receita subiu apenas 9,49%;
- juros e investimento – enquanto o gasto com juros subiu 2,25 p.p. (pontos percentuais) do PIB, o investimento líquido do governo recuou de 0,98% para 0,41% do PIB;
- rombo federal – o resultado negativo é concentrado no Governo Central (sem estatais, Estados e municípios), com deficit de 9,40% do PIB, e nos Estados (1,01%). Os municípios tiveram superavit de 0,42%.
- Previdência – os benefícios previdenciários e assistenciais também pressionaram as contas, subindo de 14,77% para 15,53% do PIB.
Pela metodologia do FMI usada no relatório, a “necessidade de financiamento” ocorre quando as despesas superam as receitas, indicando quanto o setor público precisa captar no mercado para honrar compromissos.
