A defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou uma petição ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli negando ter contratado influenciadores para difamar o BC (Banco Central). Toffoli é relator do inquérito sigiloso que apura a tentativa de venda do Master ao BRB (Banco de Brasília). Eis a íntegra (PDF – 263 kB) da manifestação feita pelos advogados na 5ª feira (8.jan.2026).
Especulações sobre uma possível campanha de “fake news” sobre o BC vieram à tona depois de a jornalista Malu Gaspar publicar, em 6 de janeiro, uma reportagem afirmando que influenciadores receberam propostas para divulgar informações favoráveis ao Master e contrárias à decisão do BC de liquidar do banco. O decreto da liquidação foi em 18 de novembro de 2025.
Os advogados de Vorcaro, por sua vez, afirmam que o fundador é “alvo permanente de campanha difamatória”. A defesa também “nega veementemente” envolvimento ou conhecimento sobre “práticas de difamação” ou “disseminação de fake news” contra a autoridade monetária. Diz, ainda, que já peticionou no STF a abertura de um inquérito para apurar o “vazamento seletivo de dados, informações e documentos constantes destes autos –que tramitam sob sigilo– e alimentam a indústria de notícias falsas”.
VEREADOR DIZ TER RECEBIDO PROPOSTA
O vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim (RS), disse ao Poder360 que recebeu uma proposta de uma empresa para gravar conteúdos para desacreditar o Banco Central, instituição que decretou a liquidação do Banco Master. Segundo a empresa, por meio dos conteúdos, ele também deveria defender o Banco Master.
O político afirmou a este jornal digital que o nome de Daniel Vorcaro foi citado durante a proposta feita pela agência UNLTD Network Brazil como sendo o contratante. Segundo ele, a citação foi feita “verbalmente”, durante chamadas de vídeo realizadas com os representantes da agência.
A proposta para convidar Rony para a publicidade foi enviada, inicialmente, para o WhatsApp do assessor do vereador Nathan Felipe. De acordo com as mensagens, obtidas pelo Poder360, foi inicialmente oferecido um contrato de confidencialidade que deveria ser assinado antes de a proposta de trabalho ser apresentada. Caso as informações fossem divulgadas, o contratado deveria pagar uma multa de R$ 800 mil. Eis a íntegra do contrato (PDF – 430 kB).
Rony, atualmente, conta com 1,7 milhão de seguidores em redes sociais e se apresenta como pré-candidato a deputado federal pelo Estado de Santa Catarina. Leia mais sobre o caso nesta reportagem.
ACAREAÇÃO NO STF
Vorcaro depôs à PF no Supremo e, posteriormente, passou por uma acareação com o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa em 30 de dezembro de 2025. O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, também deu seu relato, mas não participou do confronto entre versões.
O fundador do Master falou por cerca de 2h30. Na avaliação de quem acompanhou os depoimentos, segundo apurou o Poder360, ele e Paulo Roberto caíram em contradições. Isso fez com que Toffoli mantivesse a acareação.
Ainda assim, o confronto entre versões se deu depois do aval da delegada Janaína Palazzo, da Polícia Federal, responsável por colher os depoimentos de cada um separadamente. Dias Toffoli acompanhou todas as falas de forma on-line, sem intervir.
Durante o confronto, Vorcaro foi indagado sobre o que conhecia a respeito da Tirreno e da Cartos, duas empresas que venderam carteiras de crédito para o Master –papéis que depois o BC disse serem frios e sem valor. O fundador do Master afirmou que desconhecia a possível falta de liquidez nessas carteiras, que tinham vindo de empresas como Tirreno e Cartos. O Poder360 revelou a existência de títulos fabricados no sistema financeiro na reportagem “BC desconhece fábrica de créditos falsos no sistema financeiro” em 23 de dezembro de 2025.
Vorcaro também foi indagado sobre o que teria a dizer a respeito do fundador e CEO da Cartos SCD, Henrique Souza e Silva Peretto, e também sobre André Felipe Oliveira Seixas Maia, que se transformou em controlador da Tirreno em abril de 2025. É que André Felipe Oliveira Seixas Maia havia sido funcionário do Banco Master até março de 2022. Leia mais sobre o depoimento e a acareação nesta reportagem.
INQUÉRITO SOB SIGILO
Dias Toffoli, determinou sigilo total nas investigações sobre o caso em 2 de dezembro. Concentrou todos os documentos no Supremo. Só que tem pressa. Pretende fazer um processo profundo para apurar os responsáveis pela fraude que teria, segundo dados do Banco Central, provocado um rombo de aproximadamente R$ 12 bilhões de créditos inexistentes no balanço do Master –o que o banco liquidado nega. Leia a cronologia sobre o caso nesta reportagem.
Toffoli quer saber que tipo de providência foi tomada por todos os envolvidos para que se chegasse ao estágio atual, em que o Banco Master teve de ser liquidado extrajudicialmente.
RELEMBRE O CASO
Em 28 de março, o BRB havia anunciado que compraria o Master e que a operação daria mais competitividade ao mercado bancário e solidez à instituição financeira estatal do governo de Brasília. O BRB pretendia comprar R$ 50 bilhões de ativos do Master (49% do capital votante e 58% do capital total).
A operação foi vetada pelo Banco Central em 3 de setembro de 2025. Em 18 de novembro, o BC liquidou o Master. A decisão se deu no mesmo dia em que a PF deflagrou a operação Compliance Zero e prendeu o fundador do Master, Daniel Vorcaro, e outros dirigentes da instituição privada.
Vorcaro foi solto em 29 de novembro por determinação da juíza federal Solange Salgado, do TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região). Ele cumpre medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
