O empresário Elon Musk chamou de tentativa de censura uma proposta do governo do Reino Unido para punir o X por causa de imagens produzidas pela inteligência artificial Grok. Autoridades britânicas iniciaram nesta semana uma ofensiva contra a rede social depois de a plataforma ter sido tomada por fotos manipuladas de mulheres de biquíni ou roupas íntimas.
Usuários do X no Brasil e no mundo utilizaram o Grok nas últimas semanas para modificar fotos de mulheres e crianças nas quais as roupas são retiradas ou substituídas por biquínis ou peças íntimas. A ferramenta, disponível gratuitamente na rede social, responde a comandos dos usuários e publica os conteúdos instantaneamente na plataforma.
Musk usou seu perfil na rede social na 6ª feira (9.jan.2026) para compartilhar um post que mostra os chatbots de IA ChatGPT (OpenAI) e o Gemini (Google) atendendo ao mesmo tipo de comando. “O governo trabalhista do Reino Unido ameaça bloquear o X, mas não diz uma palavra sobre o ChatGPT e o Gemini”, diz o post compartilhado pelo empresário, que respondeu: “Eles querem qualquer desculpa para censurar”.

O post compartilhado por Musk exibe um teste em que o mesmo prompt (comando) é dado às 3 ferramentas de IA. O resultado é muito similar.
Diferentemente do Grok, que responde e compartilha os comandos no X, no caso do ChatGPT e no do Gemini, para que a imagem produzida por IA fique pública, o usuário precisa salvá-la e depois publicá-la em alguma plataforma.
O Grok anunciou na 6ª feira que a edição de imagens foi restringida a assinantes.
produzindo as mesmas imagens de mulheres de biquíni geradas pelo Grok
REINO UNIDO X GROK
O premiê britânico Keir Starmer (Partido Trabalhista, esquerda) afirmou na 5ª feira (8.jan.2026) que seu governo tomará medidas contra o X. Classificou o caso como “vergonhoso” e “repugnante”. O gabinete do primeiro-ministro chamou de “insulto” a decisão do X de apenas limitar o uso da ferramenta.
Na 6ª feira, a secretária de Tecnologia, Liz Kendall, declarou que apoiaria a agência que regula as redes sociais no Reino Unido caso o órgão decida banir a rede social em território britânico. Ela acusa o Grok de violar a Lei de Segurança Online do Reino Unido, que proíbe o compartilhamento de imagens de nudez sem consentimento, incluindo fotos com roupas íntimas.
“Manipular sexualmente imagens de mulheres e crianças é desprezível e abominável. É um insulto e totalmente inaceitável que a Grok ainda permita isso, mesmo que você esteja disposto a pagar por esse tipo de conteúdo”, disse Kendall em comunicado, acrescentando que está em tramitação no Parlamento um projeto para proibir quaisquer aplicativos de manipulação que criem imagens de nudez, mesmo que não sejam compartilhadas publicamente. O texto torna crime a solicitação e a criação desse tipo de conteúdo.
A agência reguladora Ofcom (Office of Communications) afirmou que está tratando o assunto com urgência.
ERIKA HILTON CRITICA NO BRASIL
No Brasil, a deputada Erika Hilton (Psol-SP) pediu em 4 de janeiro que o MPF (Ministério Público Federal) e a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) investiguem o X e o Grok pela produção das imagens. Defendeu que a ferramenta seja desabilitada no Brasil até a conclusão das investigações. Leia a íntegra da representação protocolada por Erika (PDF – 517 KB).
A deputada declarou que a tecnologia viola o direito individual à imagem e pode caracterizar crime. “Basta um usuário pedir ao Grok que a inteligência artificial integrada ao X alterará digitalmente qualquer foto publicada. Inclusive, trocando as roupas de mulheres e meninas por biquínis ou tornando-as sugestivas e eróticas. Isso tudo é crime”, disse em seu perfil no X.

