Dados do Inpe mostram queda histórica nas queimadas em 2025, resultado de políticas ambientais, monitoramento contínuo, investimentos em tecnologia, atuação integrada de órgãos estaduais e ampliação da presença dos Bombeiros.

O Amazonas registrou, em 2025, o menor número anual de focos de calor desde o início da série histórica do atual sistema de monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre janeiro e dezembro, foram contabilizados 4.545 registros em todo o estado.
O resultado marca um feito inédito em 23 anos de acompanhamento contínuo, iniciado em 2002. Pela primeira vez, o total anual ficou abaixo de 5 mil focos, consolidando um recorde histórico de redução das queimadas no território amazonense.
Os dados são acompanhados diariamente pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que utilizam as informações para orientar políticas públicas, fiscalizações preventivas e ações de combate direto aos incêndios.
Queda histórica e políticas ambientais
A expressiva redução também está associada ao fortalecimento da presença do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas em áreas consideradas críticas. A ampliação da atuação em campo contribuiu para respostas mais rápidas e maior capacidade de prevenção ao fogo ilegal.

Segundo o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira, o desempenho é fruto da combinação entre fatores climáticos favoráveis e investimentos contínuos em estrutura, tecnologia e integração institucional. Ele destaca ainda o papel do Fundo Amazônia e de parceiros internacionais, como o banco alemão KfW, no fortalecimento da capacidade operacional do estado.
“Ampliamos a presença do Corpo de Bombeiros em mais de 90% dos municípios críticos. Essa atuação integrada tem permitido respostas rápidas, prevenção ao desmatamento ilegal e colocou o Amazonas entre os estados com menor participação nos focos de calor da Amazônia”, afirmou Taveira.
Monitoramento técnico e atuação integrada
Os números de 2025 representam uma redução de 82,18% em relação a 2024, quando o estado havia registrado 25.499 focos de calor. Trata-se da maior queda percentual observada desde o início da série histórica do Inpe.
Para o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, o resultado reforça a importância do monitoramento técnico e do uso estratégico das informações ambientais. O acompanhamento diário dos dados permite identificar áreas mais suscetíveis e direcionar ações de fiscalização antes que novos focos se consolidem.
“O trabalho integrado das instituições, aliado à análise técnica das informações do Inpe, foi fundamental para reduzir ocorrências e evitar a propagação do fogo em regiões sensíveis”, destacou Picanço.
Com esse desempenho, o Amazonas ocupou a quinta posição no ranking de focos de calor entre os estados da Amazônia Legal, respondendo por apenas 6% do total registrado na região em 2025.
Distribuição dos focos e reforço operacional
Do total de ocorrências registradas no ano, 704 focos (15,49%) ocorreram em áreas de gestão direta do estado, 2.788 focos (61,34%) em áreas federais e 1.053 focos (23,17%) em vazios cartográficos, onde não há definição fundiária clara.
Em 2025, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas dobrou o número de municípios com presença permanente, passando de 11 para 22 cidades. As novas bases receberam viaturas Auto Bomba Tanque com capacidade para 10 mil litros de água, além de equipamentos e efetivo militar.
Segundo o comandante-geral do CBMAM, coronel Orleilso Muniz, a atuação coordenada com as prefeituras, por meio dos Grupamentos Integrados de Combate a Incêndio e Proteção Civil, ampliou significativamente a capacidade de resposta do poder público. “Essa estruturação resulta diretamente na redução dos números e na proteção do território”, concluiu.
Referências da notícia
G1. Amazonas registra menor número de focos de calor da história, aponta Inpe. 2025
