O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou nesta 2ª feira (12.jan.2026) que a situação no país está “sob controle total”, apesar da intensificação da violência relacionada às manifestações durante o fim de semana. O chanceler atribuiu o agravamento dos protestos às ameaças de intervenção feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano).
Araqchi disse que o serviço de internet será restabelecido em coordenação com autoridades de segurança iranianas. Segundo ele, as declarações de Trump incentivaram “terroristas” a promover ataques no país, atingindo forças de segurança e civis.”
A tensão entre Irã e EUA aumentou depois de Trump afirmar, no início de 2026, que os norte-americanos deveriam intervir caso o governo iraniano matasse manifestantes. Ele escreveu na rede Truth Social que os EUA estavam “prontos para agir” se protestos pacíficos sofressem repressão violenta.
Os protestos no Irã, que já duram 3 semanas, envolvem cidadãos que se manifestam contra o governo, enquanto as forças de segurança do Estado tentam conter as manifestações em diversas cidades do país.
O grupo de direitos humanos HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, reportou que 544 pessoas morreram nos protestos, incluindo 47 policiais. A organização também informou que 10.681 pessoas foram presas, conforme dados divulgados no domingo (11.jan.2026).
“Estamos prontos para a guerra, mas também para o diálogo”, disse Araqchi em sua declaração desta 2ª feira (12.jan). Por sua vez, Trump havia afirmado: “Vamos atingi-los com muita força onde mais dói”, acrescentando que seu governo acompanha atentamente a situação no Irã. Trump disse que o Irã estaria “cansado de apanhar dos Estados Unidos” e avaliou que o país “quer negociar”.
O Irã ameaçou retaliar contra Israel e bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja alvo de bombardeio norte-americano. O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou à Reuters: “Sejamos claros: em caso de ataque ao Irã, os territórios ocupados [Israel], assim como todas as bases e navios dos EUA, serão nossos alvos legítimos”.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, discutiu com o premiê israelense, Benjamin Netanyahu (Likud, direita), a possibilidade de uma intervenção no Irã durante conversa telefônica no sábado, segundo a Reuters.
