Centenas de milhares de iranianos participaram de manifestações em apoio ao governo nesta 2ª feira (12.jan.2026) em diversas cidades do país. O presidente Masoud Pezeshkian juntou-se à multidão em Teerã, onde manifestantes se reuniram carregando bandeiras iranianas e retratos do aiatolá Ali Khamenei.
As imagens divulgadas por emissoras ligadas à rede estatal mostraram grandes concentrações em várias cidades, incluindo Birjand, Zanjan, Kerman, Zahedan, Rasht, Arak, Mashhad e Tabriz, com participantes expressando apoio às autoridades e suas medidas de reforma.
Os comícios na maioria das províncias, incluindo Teerã, começaram às 14h no horário local, enquanto em algumas outras províncias, as manifestações iniciaram mais cedo, às 9h e 11h.
Assista (2min40s):
No domingo (11.jan), Pezeshkian convocou a população para uma “marcha de resistência nacional”. À TV estatal iraniana, o presidente afirmou estar trabalhando para apaziguar a indignação dos iranianos com a situação econômica, mas prometeu “não permitir que os manifestantes desestabilizem o país”.
Os atos de apoio ao governo se dão enquanto várias cidades iranianas continuam a lidar com protestos contra a grave crise econômica, inflação elevada, desvalorização acentuada da moeda e aumento dos preços de bens essenciais. As autoridades iranianas têm atrelado os atos contrários ao governo à interferência internacional, culpando os Estados Unidos e Israel e acusando-os de apoiar os manifestantes.
Iniciadas em dezembro de 2025, as manifestações avançaram com pedidos de reformas políticas e do sistema judiciário, defendendo maior liberdade e criticando o governo de Khamenei, líder supremo do país.
O Irã tem repreendido fortemente os protestos. Segundo a agência Hrana (Human Rights Activists News Agency), até o domingo (11.jan), morreram 544 pessoas –sendo 47 integrantes das forças policiais– e 10.681 foram presas.
Khamenei comanda desde 1989 o Irã, uma teocracia islâmica xiita que concentra poder absoluto no líder supremo, cargo vitalício com autoridade sobre todos os Poderes constitucionais. O regime, baseado na Sharia (lei islâmica), impõe restrições severas às mulheres, como uso obrigatório de hijab a partir dos 9 anos e necessidade de autorização marital para viagens internacionais. A oposição permanece fragmentada entre monarquistas exilados, a MEK (Organização dos Mujahideen do Povo), minorias étnicas e movimentos de protesto reprimidos, sem liderança unificada.
