O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de impor uma tarifa de 25% a países que negociam com o Irã é “mais uma novidade” de uma sequência de anúncios do governo norte-americano.
Segundo ele, o cenário internacional instável hoje representa o principal fator de risco para a economia brasileira. Haddad conversou com jornalistas nesta 3ª feira (13.jan.2026), ao chegar ao Ministério da Fazenda.
Haddad afirmou que os Estados Unidos são um país soberano, mas que as medidas anunciadas pelo governo Trump mudam diariamente e ainda precisam ser avaliadas com cautela.
Citou anúncios envolvendo temas como Groenlândia, Canal do Panamá, Venezuela e comércio internacional. Segundo ele, o governo brasileiro acompanha os movimentos, mas evita comentar medidas antes de sua efetiva implementação.
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ECONOMIA BRASILEIRA
Haddad afirmou que, apesar do ambiente externo conturbado, a economia brasileira apresenta fundamentos sólidos. Disse que o país fechou 2025 com inflação dentro da meta, crescimento acima das projeções pelo 3º ano consecutivo e taxa de desemprego em patamar historicamente baixo.
O ministro destacou que o resultado primário do governo federal vem sendo cumprido de forma consistente. Segundo ele, o deficit de 2025 deve ficar em torno de 0,1% do PIB, ou 0,17% ao considerar exceções aprovadas pelo Congresso e decisões judiciais, e 0,48% com a incorporação integral dos precatórios.
Disse que a inclusão dos precatórios torna os dados mais transparentes e comparáveis. Afirmou que o governo anterior deixou um deficit real entre R$ 170 bilhões e R$ 180 bilhões, ao considerar rombos no Bolsa Família e precatórios fora do Orçamento, e que esse valor foi reduzido em cerca de 2/3 em 2 anos.
MERCOSUL
Haddad também comentou o acordo entre Mercosul e União Europeia. Ele disse compreender críticas ao acordo, mas afirmou que a indústria brasileira apoia a iniciativa e que o Brasil precisa abrir novas frentes comerciais em um cenário global instável.
“Estamos num mundo muito conturbado. Precisamos criar avenidas novas, portas novas”, declarou, ao defender a diversificação das relações comerciais como estratégia para reduzir vulnerabilidades externas.
