Quase 15.000 enfermeiros iniciaram na 2ª feira (12.jan.2026) uma greve em alguns dos principais hospitais de Nova York. O movimento já é classificado como o maior da história da categoria na cidade e um dos mais relevantes do setor de saúde em décadas. A paralisação envolve instituições de grande porte e impõe um teste político precoce ao prefeito Zohran Mamdani (Partido Democrata), que assumiu o cargo no início de janeiro.
O sindicato que representa os profissionais afirma que a greve é necessária para garantir proporções mínimas de enfermeiros por paciente, além de reajustes salariais e medidas de segurança dentro das unidades. Segundo a entidade, equipes têm sido sobrecarregadas, o que compromete o atendimento e expõe trabalhadores a riscos constantes. As informações são do jornal The New York Times.
A mobilização atinge hospitais de referência, como o NewYork-Presbyterian/Columbia, o Montefiore Medical Center e o principal campus do Mount Sinai Hospital, além de outras unidades da mesma rede. Esses centros estão entre os maiores empregadores da cidade e atendem milhares de pacientes diariamente.
Mamdani participou de um ato em apoio aos grevistas na 2ª feira (12.jan). Antes da eleição, o prefeito já havia defendido uma revisão da relação do município com grandes sistemas hospitalares privados e questionado a manutenção de isenções fiscais concedidas a essas instituições. Em discurso, afirmou que o valor do trabalho dos enfermeiros “não é negociável”.
Em publicação no X, o prefeito de Nova York escreveu: “Os enfermeiros estão presentes nos nossos momentos mais difíceis. No 11 de Setembro. Na pandemia. Em todas as doenças e emergências. O seu valor é inegociável. Salários justos, condições de trabalho seguras e dignidade, agora. Nova York apoia os enfermeiros e exige negociações de boa-fé por justiça e cuidados para todos”.

Hospitais se prepararam por semanas para manter o funcionamento durante a paralisação. Segundo a associação do setor, contratos foram firmados com agências de profissionais temporários, e hotéis foram reservados para acomodá-los. O NewYork-Presbyterian informou ter gasto US$ 60 milhões em preparativos, com a contratação de mais de 1.700 enfermeiros de contingência.
Como parte do plano, cirurgias eletivas foram canceladas, altas hospitalares antecipadas e pacientes transferidos de unidades altamente especializadas, como UTIs neonatais. Ambulâncias também desviaram parte dos atendimentos para outras unidades no início da greve. Apesar disso, os prontos-socorros permaneceram abertos e com equipes completas.
A paralisação se dá 3 anos depois da última grande greve de enfermeiros na cidade, que envolveu cerca de 7.000 profissionais e terminou após acordo sobre contratação de pessoal e regras rígidas de dimensionamento. Na ocasião, salários iniciais subiram quase 20% em 3 anos, ultrapassando US$ 100.000 anuais, de acordo com a publicação norte-americana. Hoje, em algumas unidades, o salário inicial chega a US$ 119.423, e a média supera US$ 160.000, conforme dados divulgados pelos hospitais.
Mesmo assim, o sindicato afirma que as instituições tentam enfraquecer garantias conquistadas naquele acordo. Executivos do setor dizem que as novas exigências são inviáveis diante de um cenário financeiro mais restritivo, com redução de recursos federais e aumento dos custos operacionais.
Além de salários e pessoal, a segurança é outro ponto central da greve. Enfermeiros relatam preocupação com episódios de violência e cobram medidas como detectores de metal e maior controle de acesso. Desde as 6h da manhã, profissionais deixaram os plantões, reuniram-se em frente às unidades e receberam apoio de motoristas e políticos, enquanto as negociações seguem sem acordo.
