O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que a PF (Polícia Federal) envie todos os bens e materiais apreendidos na 2ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta 4ª feira (14.jan.2026), “lacrados e acautelados” à sede da Corte. Leia a íntegra da decisão (PDF – 164 kB).
Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o acautelamento tem por finalidade “a preservação das provas recolhidas pela autoridade policial”. Disse, ainda, que os objetos serão “devidamente periciados pelas autoridades competentes”.
No mesmo documento, o magistrado deu 24 horas para o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informar “a razão do descumprimento” da ordem dada pelo ministro “para cumprimento das medidas em prazo legal estabelecido”.
O magistrado se refere ao fato de que ele havia pedido a prisão temporária do influenciador Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, na 2ª feira (12.jan). A medida deveria ter sido cumprida em até 24 horas, já que a PF havia informado que Fabiano tinha uma viagem programada para Dubai na madrugada desta 4ª feira (14.jan).
“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaracterizando as provas essenciais ao deslinde da causa, como a falta de empenho no cumprimento da ordem judicial para a qual a Polícia Federal teve vários dias para planejamento e preparação, o que poderá resultar em prejuízo e ineficácia das providências ordenadas”, escreveu o ministro.
Para Toffoli, a “eventual frustração” do cumprimento das medidas “decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal” e de “inobservância expressa e deliberada” da decisão proferida por ele. “Eventual prejuízo às demais medidas em decorrência do presente pedido são de inteira responsabilidade da autoridade policial”, afirmou.
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2ª FASE DA COMPLIANCE ZERO
A PF deflagrou nesta 4ª feira (14.jan) a 2ª fase da operação Compliance Zero, que atingiu o Banco Master. A corporação investiga a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.
A 2ª fase da operação inclui buscas em endereços ligados a Vorcaro e parentes dele –entre eles, o pai, a irmã e o cunhado. O empresário Nelson Tanure também é alvo. Estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.
Em nota, a defesa de Vorcaro informou que o banqueiro “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que ele “permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”.
Toffoli, relator do inquérito do caso no STF, foi quem autorizou a busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro. Leia a íntegra da decisão (PDF – 120 kB)
O ministro afirmou que, depois de novas manifestações da PF e da PGR (Procuradoria Geral da República), reconsiderou um pedido anterior para novas diligências contra o empresário. “Diante das ponderações da Autoridade Policial e da Procuradoria Geral da República, reconsidero, em parte, a decisão combatida, para deferir novas diligências na residência do investigado”, afirmou.
No parecer, a PGR entendeu que era “necessário, útil e pertinente que o investigado seja alvo de busca e apreensão em referido endereço, para colheita de documentos, anotações, registros, mídias, aparelhos eletrônicos e demais dispositivos de armazenamento de dados que tragam para os autos em definitivo as demais circunstâncias delituosas, a identificação de outros agentes e a delimitação de suas condutas”.
